Gelza Rocha -O kit da homofobia
O kit da homofobia
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha


Uma proposta do MEC para distribuir um Kit Escolar contra o preconceito aos homossexuais, com vídeos demonstrativos sobre o universo de gays e lésbicas, mais boletins e cartilhas de cunho educativo(!), já se configura polêmico antes mesmo de sua implantação.

Ainda que considere reais as preocupações dos propositores da idéia, em relação ao tema, enquanto educadora eu procuro avaliar a eficácia de tal medida, e confesso não acreditar que possa ter alguma.

Além do quê, não se justificam tais procedimentos para atender apenas um tipo de preconceito. Pois são tantos os que persistem na sociedade! Que tal um kit educativo contra o preconceito aos pobres? Aos negros? Aos gorduchos? Aos deficientes? E aos “feios”, por que não? Sim! Também estes, embora sejam pessoas de feições normais, enquanto espécie humana, podem parecer “monstrengos” graças ao modelo de beleza perfeita propagandeado à exaustão pela mídia. E sofrem mesmo, discriminação, principalmente no ambiente escolar... Os considerados feios e os gordos são, de regra, os preferidos em termos de apelidos jocosos e cruéis.

Preconceitos não se combatem com kits ou decretos. A resposta positiva para eles é a boa educação, em casa e na escola. No meu entendimento, cada vez que se tenta inventar uma novidade contra o preconceito, mas ele vem à tona, e, mais a discriminação se avoluma... As tais cotas raciais são uma demonstração disso. Inacreditável que alguém de bom senso tenha gerado tamanho absurdo! Inexplicável e desalentador que negros as aceitem! Esquecem que a solução também neste caso passa pela priorização do Governo ao ensino público de boa qualidade... A educação, sempre ela, é o caminho essencial para que todos possam buscar, em igualdade de condições, seu lugar ao sol.

Fico imaginando o que conterá este vídeo demonstrativo (explicativo?) que acompanha o kit do MEC! De todo modo, posso supor o alvoroço, as brincadeiras de mau gosto, os risinhos que a coisa irá proporcionar aos adolescentes, e o constrangimento provável a que estará sujeita a minoria contemplada com o “presente”.

É verdade que não conheço o conteúdo dos itens que compõem este kit escolar, e pode parecer prematura esta minha avaliação negativa quanto às suas possíveis consequências benéficas. É que, particularmente, não vejo como um sentimento humano, no caso em pauta a homofobia, possa ser desenraizado com medidas desse tipo, que só fazem expor ainda mais as “vítimas”...

Educar todos, sem focar este ou aquele grupo, dentro dos princípios de solidariedade e tolerância, de compreensão, generosidade e justiça, será, sem dúvida, a forma mais adequada para, em médio e longo prazo, desenvolver-se em cada pessoa a idéia natural da necessidade de uma convivência harmoniosa na sociedade.
Que tal a Justiça começar por tratar, de fato, todas as pessoas de modo igual perante a lei? Já seria um primeiro passo, sem necessidade de kits, para acabar com a discriminação, com o preconceito.

É o que penso!

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