Gelza Rocha -ORLA DE JOÃO PESSOA
ORLA DE JOÃO PESSOA
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha

PROJETO DA PMJP PARA ORLA DE JOÃO PESSOA

É fato que as opiniões sobre determinado tema diferem de pessoa para pessoa, e, em uma democracia, elas podem e devem ser explicitadas. Já ouvi inúmeras, contra e a favor, sobre o Projeto da PMJP a ser executado na orla de João Pessoa, iniciando-se na praia de Manaíra até o Iate Clube. Nas últimas 2 décadas, principalmente, a polêmica tem sido uma constante quando o assunto envolve uso do solo e preservação do ambiente. No caso em pauta, alguns opositores da obra levantam a bandeira da proteção às tartarugas marinhas, como justificativa...
Enquanto geógrafa, professora aposentada da UFPB, com pesquisas na área ambiental, dentre elas algumas sobre o litoral paraibano, sinto-me à vontade para opinar sobre este Projeto.
Defendo a ocupação racional dos ecossistemas, porém há que se compreender a complexidade e a razão de ser das áreas urbanas, para que possa haver uma avaliação precisa e pertinente às suas características ambientais e às suas necessidades estruturais. Um meio urbanizado, a exemplo da orla marítima da capital, deve merecer tratamento compatível com a sua função. Deve ser analisado, considerando-se circunstâncias específicas como: segurança, iluminação, higiene, vias de acesso, usufruto para todos, e também a proteção dos imóveis contra a erosão marinha, pois nestes residem pessoas que pagam altas taxas ao Patrimônio da União e à Prefeitura, e, tanto quanto as tartarugas merecem respeito aos seus direitos.Morar à beira mar, sem rua na frente de casa, livre do barulho de carros é um privilégio sem igual. Sei disso, porque tenho residência na praia do Bessa, desde 1973, quando parecia loucura morar tão distante e sem qualquer infraestrutura...
As casas foram construídas obedecendo todas as exigências do Patrimônio da União. À época, a área contava com mais de trinta metros de praia; hoje o mar está solapando o muro das moradias e, mesmo assim, muitos proprietários não acrescentaram um palmo que seja de construção, sequer muretas de proteção... Ao longo de todos estes anos, quase 40, nem o Patrimônio da União, nem a Prefeitura, providenciaram obras de contenção da erosão marinha, embora recebam anualmente impostos onerosos... O que resta de praia em frente da morada paradisíaca daquele tempo, transformou-se em problema sério: escura, insegura, refúgio de drogados, de assaltos e roubos, dentre outras mazelas. Estes são fatores que prejudicam enormemente a qualidade de vida da população (humana) da área, e que, para serem sanados, carecem de melhoramento de caráter urbanístico. Embora não se constitua objeto do presente texto, ressalto que muitas destas mazelas estariam minimizadas, e os ecossistemas mais preservados, se os Poderes Públicos situassem como sujeito prioritário de suas ações a população carente, não apenas em discursos demagógicos, mas de verdade. Não é raro observar-se a população situada a reboque dos projetos ambientalistas.Percebe-se, muitas vezes, maior indignação por parte da sociedade para com uma tartaruga morta do que para com as dezenas, centenas de crianças esmolando nas ruas. Em se tratando de um meio urbanizado, vejo, com bons olhos, a implantação deste Projeto da Prefeitura de João Pessoa, com fortes ressalvas, entretanto, no que diz respeito à área de abrangência do mesmo. A obra urbanística projetada não pode excluir o setor após o IATE, posto ser o mesmo um dos mais desgastados pela ação de fenômenos marinhos. Deveria prolongar-se, unindo-se ao calçadão há pouco tempo concluído, e que se estende até o final da praia do Bessa, próximo ao limite com a praia de Intermares, no município de Cabedelo.
Será injustificável que assim não ocorra. Ou, do contrário, este Projeto da PMJP estará discriminando os habitantes do referido trecho, deixando-os ao “sabor” salgado (e bem amargo!) do impacto das ondas, cada vez mais destruidoras em seu avanço. Além do que, a cobrança das elevadas taxas de IPTU passará, então, a se configurar como uma injustiça gritante dos Poderes Públicos para com os cidadãos cumpridores dos seus deveres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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