Gelza Rocha -AS AÇÕES POLÊMICAS DO MEC
AS AÇÕES POLÊMICAS DO MEC
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha

Não bastasse a polêmica gerada pelo Kit contra a homofobia encaminhado pelo MEC para os estabelecimentos de ensino da rede pública, esse Ministério aprova mais outra novidade, cujo teor já é objeto de discussões calorosas: um livro didático que ensina português errado! Uma frase falada e escrita assim: “os livro pode ser comprado...” não estaria incorreta, mas “inadequada”, conforme defendem as autoras da obra.
Este fato fez-me lembrar do meu pai, um homem inteligentíssimo, não obstante quase analfabeto (por circunstâncias que não cabem explicar aqui), cujo maior objetivo de vida foi educar até o nível mais superior do ensino, os seus 12 filhos, não medindo esforços ou sacrifícios para tal. Graças a Deus foi vitorioso em seu desejo. Sentia muito orgulho de nos ouvir falar corretamente e gostava de repetir: “é muito bonito a pessoa saber falar sem errar as palavras!” Nota dez para seu Severino Alves da Roch
O MEC aprovar um livro que ensina a escrever, ler e falar errado? Não é um pouco demais para suportar calado? Da minha parte, não calarei!
Tenho o maior respeito e admiração pela trajetória de vida do ex - presidente Lula, em quem sempre votei, mas fico a refletir se não procede a análise de alguns colegas que vêem na infeliz idéia das autoras e no aval do Ministério da Educação, provavelmente, uma forma de generalizar a aceitação do português incorreto falado pelo Lula (felizmente, já bem melhorado), principalmente no que diz respeito ao uso do plural, como algo exemplar... É de se pensar!
Coincidentemente, (ou não?) as frases que ilustram o tal livro didático (!) nos remetem imediatamente à fala do ex-presidente, a exemplo de “os nosso Ministro precisa de trabalhar...”
Ou estaria o Ministro Hadad tentando reinventar o ensino da língua portuguesa, aliás o desensino (permitam-me criar este vocábulo, pois se não estiver correto, estará, indubitavelmente, “adequado”, bem ao gosto do que pregam as insignes mestras).
Diante desta nova “gramática da língua portuguesa”, chego a sentir remorso pelas correções (ou “pela correções”, pelas correção?) que fiz em centenas de provas de geografia dos alunos submetidos ao Vestibular! Alguns até reprovados! Coitados! Injustiçados tão somente por terem elaborado frases “inadequadas”! Dentre muitas que registrei, exponho uma das respostas de um vestibulando, para explicar a seca do Nordeste: “As seca do meu nordeste é tanta quentura até chega a secá as roupa qui minha mãe esponhe nos arame da cerca e fica dibaixo do sol inscaldante...” Hoje, seria aprovado pelo MEC?
Não! O Ministério da Educação e Cultura tratou de esclarecer que para as provas do ENEM (e Vestibular) continuam valendo as regras do Português correto, acadêmico, formal... Uma incoerência do tamanho do besteirol efetuado!
Não há justificativa para se tratar tão irresponsavelmente o ensino do idioma português. Escrever e falar errado faz parte do universo de milhares de brasileiros que foram e ainda são deixados de fora do recinto escolar, não por querer próprio, mas por ausência de planos do Governo que priorizem a educação, razão pela qual os deixa à margem do mercado de trabalho, sobrevivendo, honestamente, a custo de tremendos sacrifícios pessoais ou transformando-se em presa fácil às atividades ilícitas.
Alcançar o degrau mais elevado do Poder Executivo de uma Nação, com quase nenhum estudo, é uma façanha digna de reconhecimento e admiração, mas não deve balizar o caminho a ser percorrido por nossos jovens estudantes... Afinal, um fenômeno Lula não acontece todo dia!
Algumas pessoas mais radicais apostam na existência de uma conspiração contra a educação e a cultura do país, haja vista a recente escolha do Excelentíssimo Deputado Tirica como membro da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, e agora essa formidável medida do MEC promovendo e financiando o ensino de um português errado...
Exageros à parte, convenhamos que o fato inusitado, aprovado por um setor que deve primar pela boa qualidade do ensino pode gerar todo tipo de conjecturas. Mesmo a de que o tal compêndio teria sido adotado com o objetivo de desonerar os cofres do MEC com salários elevados(!) aos professores detentores de diploma de Pós-Graduação...Afinal, para ensinar (ou desensinar) errado será uma perda de tempo e de dinheiro o professor realizar cursos de aprimoramento do seu saber...
Educação é coisa séria. Aprender corretamente a língua portuguesa, também.
Zero para as autoras e Zero e meio para o MEC.


 

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