Gelza Rocha -UM PLANETA MELHOR
UM PLANETA MELHOR
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha
Um planeta melhor... Para quem?
 
 
            Há alguns dias li uma mensagem no Facebook, postada por Gerusa Cardoso (pessoa que não conheço) que considero das mais pertinentes: “todo mundo está pensando em deixar um planeta melhor para nossos filhos. Quando é que se pensará em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”
            “Deixar filhos melhores” é o alerta de Gerusa para todos nós e nos leva também a refletir sobre o que as autoridades competentes, os governos e a sociedade estão fazendo para que isto venha a acontecer.
            Do meu ponto de vista, as ações que dizem respeito a “deixar um planeta melhor” tem sido projetadas e implementadas com muito mais afinco, por quaisquer das instâncias mencionadas. A propaganda midiática tem sido pródiga na defesa do meio ambiente e preservação dos recursos naturais. De tal forma, que nos últimos tempos a própria sociedade se engaja com maior facilidade aos projetos para salvar animais, ditos em extinção, do que àqueles que objetivam ajuda às crianças e aos jovens carentes, desamparados, abandonados, viciados... Situação esta, em sua maioria, ocasionada pela desestruturação da família, que tem como causa principal, a ausência de políticas capazes de suprir, de fato, não por esmolas, as suas necessidades fundamentais: moradia digna, educação, saúde, emprego. Também existem famílias desestruturadas porque invertem os valores basilares da formação dos jovens: defendem o ter e não o ser; adotam por princípio a cruel premissa de “levar vantagem em tudo, certo?”. O respeito entre pais e filhos é visto como algo ultrapassado, careta... A autoridade paterna como uma “tortura psicológica”, e por aí vai...
            E este caos familiar acaba sobrando para as escolas, que passam a ser cobradas como “salvadoras”, quando, não raro, encontram-se elas mesmas buscando salvar a própria pele, pois nem podem contar com estrutura adequada, com financiamentos de monta, ou com a valorização dos seus docentes, seja do ponto de vista acadêmico, seja monetário... 
            Entra governo e sai governo, em quaisquer das esferas, municipal, estadual, federal, e o tripé - educação, saúde, moradia - alardeado nos palanques como meta prioritária, transforma-se em planos superficiais, secundários, muitos dos quais nem chegam a sair do papel, perdidos nos labirintos estúpidos da burocracia. Os poucos que chegam a ser implantados acabam minguando em seus propósitos, porque as verbas a eles destinadas são surrupiadas, desviadas para enriquecer os corruptos, que nunca são obrigados a devolver a “fortuna” aos cofres públicos, ou se o são, acabam liberados de fazê-lo pelas “brechas” encontradas no sistema judicial, filigranas estas, diga-se a bem da verdade, dificilmente usadas em benefício do cidadão de poucos recursos.
            Enquanto isso a sociedade é chamada a se unir em prol de um “planeta melhor”, resguardado em seus recursos naturais: água, solo, vegetação, animais...
            Tem sido mais comum presenciar o compadecimento das pessoas pela morte de uma tartaruga, de um peixe-boi, de uma baleia, de um tatu, de árvores derrubadas, do que sua indignação frente aos milhares de crianças, adolescentes e adultos, esmolando, prostituindo-se ou viciando-se em drogas pesadas, pelas ruas, Brasil afora...
            As cenas aterradoras de jovens assassinados mostradas à exaustão pelas TVs, não parecem mais impactar o telespectador; banaliza-se a morte do ser humano como se este fosse um reles animal irracional... Opa! Tal comparação somente será válida se pensarmos em um inseto repugnante tipo barata; não vale em se tratando de uma bela arara azul ou de um mico leão dourado...
            Com nossos jovens despencando ladeira abaixo, seja por carências educacionais, alimentares, de emprego, seja por excesso de luxo, luxúria, corrupção de valores, ou por falta de amor, de cuidados, de priorização dos princípios éticos e morais, já não é hora de nos perguntarmos para quem iremos deixar “um planeta melhor”?
            Se as autoridades competentes e a sociedade não concentrarem suas ações prioritárias na “salvação” do ser humano, com toda certeza não legaremos “filhos melhores” para “um planeta melhor”.
Restará um planeta bem preservado para onças, macacos, cobras, ursos panda, cervos, baleias, jacarés, cabrito da montanha, alces, e muitas outras espécies da fauna, fortes e melhoradas...
 E sabe Deus para que espécie de cidadão nós estaremos deixando este pujante planeta.
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