Gelza Rocha -NÃO BANALIZEMOS O MAL FEITO
NÃO BANALIZEMOS O MAL FEITO
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha

  Não banalizemos o mal feito


Existe alguma coisa apodrecida sob os tapetes luxuosos do poder... De todos os poderes. E, infelizmente, em todas as instâncias: federal, estadual e municipal. Executivo, Legislativo, Judiciário, não escapam de denúncias fortes de corrupção em sua metodologia de trabalho. A prática quase nunca segue a ética propagada no discurso teórico das eminentes autoridades que compõem seus quadros.
O cidadão comum parece estar se acostumando com tantas falcatruas, o que é um péssimo sinal. Tanto quanto tende-se a banalizar as mortes por assassinatos, tal a quantidade de crimes ocorridos, também pode-se estar caminhando para a banalização da imoralidade, do mal feito, do enriquecimento ilícito, das negociatas obscuras... O que proporcionará o apodrecimento da própria sociedade.
Obra, projeto, lei, decisão judicial, tudo traz no seu bojo uma interrogação, uma dúvida, uma desconfiança. Porque nada mais acontece claramente. A palavra “transparência” esgotou-se, morreu por falta de uso no âmbito dos poderes, especialmente no Executivo.
Exemplos não faltam pelo Brasil afora. As verbas federais, destinadas a reconstrução de cidades fluminenses arrasadas pelas chuvas de janeiro passado, estão sendo bloqueadas por causa das denúncias de desvio por parte das Prefeituras. Propinas distribuídas por setores do Ministério dos Transportes para empresas diversas ocasionam demissões de Ministro e Diretores. Para citar os mais recentes...
Na Paraíba, depois de escândalos referentes à merenda escolar, à venda de terrenos públicos no vale do Cuiá, grampos nos telefones da Assembléia Legislativa, mais um repercute fortemente na sociedade: a troca de um terreno público onde se localiza a ACADEPOL por outro, pertencente a um rico empresário que pretende construir, no primeiro, um Shopping. Como a transparência transformou-se em ficção, e as negociações se concretizaram, apenas, entre os dois interessados, Governo (ou Governador, segundo alguns) e empresário, e de maneira abrupta, rápida, sem as discussões necessárias pela sociedade ou por seus representantes, os Deputados, as dúvidas sobre a lisura do negócio surgiram imediatamente... Segundo analistas especializados, o preço do bem público é muitas vezes superior ao do terreno privado, para citar, somente, uma das características obscuras que se aponta para esta transação...
Diante de tantas denúncias de desmando por parte dos poderes públicos, algumas, há tempos, “dormindo no berço esplêndido” da burocracia (e da lerdeza) judicial, pergunto-me se já não está na hora de expressarmos nossa indignação de maneira mais concreta.
Da minha parte, digo que sim! Depois de ouvir advogado competente, penso, seriamente, em não deixar nos cofres da Prefeitura da minha cidade, João Pessoa, o pagamento do caríssimo IPTU, que desembolso todo ano, mas depositá-lo onde for pertinente e legal, creio que um Cartório, até que a Justiça conclua, definitivamente, o “caso Cuiá”. Tenho o direito sagrado e constitucional de saber se o poder público (no caso específico, a Prefeitura) está usando corretamente os impostos que pago.
Se não podemos limpar toda a sujeira encoberta pelo tapete glamoroso do poder, ao menos não banalizemos o mal feito, a imoralidade; não fiquemos, tão só, nas críticas inúteis ou politiqueiras. Não sejamos omissos. Dentro da lei, expressemos, concretamente, nossa indignação.

 

 

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