Gelza Rocha -CONHEÇA DE FORMA BEM DESCONTRAÍDA OS 223 MUNICÍPIOS DO ESTADO DA PARAÍBA
CONHEÇA DE FORMA BEM DESCONTRAÍDA OS 223 MUNICÍPIOS DO ESTADO DA PARAÍBA
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha

 

Forma descontraída de conhecer os 223 municípios paraibanos.


por Gelza Rocha


 


 

Era uma vez um lugar muito bonito, formado por altos e baixos, coberto de mata e também por plantas espinhentas, banhado por rios “de água” e por rios “de pedra” a depender do clima... Se ali habitava alguém só Deus sabia! Aliás, não apenas ELE, também portugueses, franceses e holandeses, que para lá se destinaram, mudando feições e sistemas existentes...

Os primeiros foram os portugueses. Chegaram, gostaram e ficaram por aqui, de olho nas índias que encontraram, e nas belas negras que chegariam com os navios africanos, para cuidar da senzala, da casa e dos filhos da Sinhá branca... A mistura das raças originou o povo paraibano... Das planícies alagadas, com exuberante manguezal, eles subiram um baixo planalto e fundaram a cidade Felipéia de Nossa Senhora das Neves...

Inicia-se, assim, a primeira parte desta “aula brincadeira”. É parecida com o “samba do crioulo doido”, mas identifica corretamente os 223 municípios que formam o Estado da Paraíba.

Os portugueses beberam tanto na comemoração da fundação da cidade que não conseguiam enxergar direito o calendário.

Alguns bradavam:

- Ilustres cavalheiros! Eis que estamos no dia 4 de novembro do ano de 1585 da Graça de Deus! Anotem no livro esta data para dar ciência da fundação desta formosa cidade real...

No meio da farra, cambaleando por entre os convivas, alguém contestou:

- Que coisa fala, Vossa Mercê? Vejo bem claro na folhinha que hoje é o dia 5 de agosto de 1585! Estás a beber demais!

- Como ousas me afrontar com tamanha estupidez? Vejam senhores! Aqui está a folhinha... Mirem bem este mês de novembro... Ahhhhhhhhh... Ahhhhhhhh...

E o homem caiu estatelado sobre o botijão de vinho, roncando...

- Não nos importa a data... Vamos comemorar!- gritaram todos

Não demorou muito, o álcool pesou na cabeça e, exausta, a maioria dormiu. Não o marinheiro CABEDELO, de olhos bem abertos, espreitando o horizonte. Esperava pela volta do capitão LUCENA, que, com seu ajudante MATARACA, ainda não voltara de sua tarefa de espionagem na BAIA DA TRAIÇÃO, onde, segundo informantes infiltrados, os índios do norte, chefiados pelos Caciques ARARUNA, JACARAÚ e CASSERENGUE conspiravam contra os colonizadores que já ocupavam suas terras com cana de açúcar...

O sol já ia alto e ninguém acordava! Longe, em alto mar, naus se aproximavam!

Então, o ex-donatário ALHANDRA, abriu os olhos, espreguiçou-se, levantou-se vagarosamente, e ao olhar para o mar, emitiu um grito desesperado!

- Minha SANTA RITA nos acuda! Os holandeses estão chegando!

A algazarra instalou-se. Grito e correria denunciavam o horror pela surpresa!

- Aprontem os canhões! Peguem nas armas!- brandiu do alto do SOBRADO, um destemido CONDE lusitano.

Acordando com os gritos e sem compreender o que ocorria, o capitão BELÉM escondeu-se por trás da grande CRUZ DO ESPÍRITO SANTO fincada no pátio, causando decepção aos seus pajens, os indiozinhos PITIMBU e CAAPORÃ, que correram para cobrir o corpo do homem, que não tivera tempo de vestir-se.

- Senhor meu amo, cubra seu corpo! Só índio pode ficar nu...

-As armas e os brasões... Não! Quero dizer as armas e os canhões já estão prontos!- adiantou o alferes CALDAS BRANDÃO, ainda sonolento.

E as naus aproximavam-se rapidamente favorecidas pela ventania que soprava com força.

Muito calmo, saindo de sua casa coberta de SAPÉ, o cozinheiro real, de nome MOGEIRO mirou as naus e deu uma gargalhada sonora.

- Êita! Mas Vossas Mercês são mesmo uns abestalhados! Tudo com medo de mulher, é?

- Mulher?! Espantou-se MARI, o cambiteiro, descendo do burro carregado com carga de rapadura comprada no engenho de seu PILAR.

Muitos correram e não acreditavam no que viam! Descendo de uma nau francesa, e não holandesa como pensavam, as índias GUARABIRA, PIRPIRITUBA, ARAÇAGI e NATUBA eram as primeiras de longa fila...

- Minha Virgem Santa!Vejam! A PRINCEZA ISABEL também veio com estas selvagens! Até a fogosa SOLEDADE!- espantou-se o capitão FAGUNDES.

- Só me faltava esta! - agoniou-se o Capitão-mor REMÍGIO. - O que diabo vieram fazer?

- Tá com medo, não é? Bigamia dá cadeia! CONCEIÇÃO, tua linda mulher, ainda tinha ESPERANÇA de que a guerra te mudasse! Continuas o mesmo safado!

- Como ousa falar assim, Sargento PILÕES? Sou o Capitão-mor! Olha que o delegado JUAZEIRINHO não admite desrespeito! Ele está de olho!

- Pois sim! Aquele já desceu a BORBOREMA foi melado demais! Vai roncar até amanhã...

O burburinho acordou DAMIÃO, garboso militar português, que entrou na conversa:

- Por que este alvoroço? Meu BOM JESUS! É verdade o que vejo? - extasiou-se esbugalhando os olhos em direção às mulheres.

- E Vossa Mercê não diz que só tem olhos para o rosto BONITO DE SANTA FÉ, meu amo?-perguntou o negrinho SUMÉ, entregando ao patrão o quepe de soldado lusitano.

- Essa aí está longe! Prefere agora a bela ITABAIANA!- provocou o brincalhão soldado ALCANTIL.

Uma a uma as mulheres foram chegando, escoltadas por marujos franceses sob as ordens do Comandante BAYEUX.

Embora chegado de muito longe, foi o Capitão de Brigada BERNARDINO BATISTA quem fez as honras da casa aos visitantes, uma vez que o anfitrião PEDRO RÉGIS ainda dormia. Mas, desconfiado e cauteloso, o capitão se dirigiu às senhoras perguntando se tudo estava bem com elas.

- Vossa Mercê está pensando o quê?- inquiriu JURIPIRANGA segurando pela mão a jovem MATURÉIA, habitante da longínqua SERRA BRANCA- Eles nos trouxeram pra festa, só isso!

- Hum! Hum! Trazendo mulher de tão longe?! Nessas MATINHAS tem coelho!- falou o soldado INGÁ em cochicho com o colega de farda TENÓRIO, que resmungou apreensivo:

- Coelho nada! Tem é GADO BRAVO!

E mais que depressa, procurou o comandante em chefe JUAREZ TÁVORA, que visivelmente ressacado, prestou pouca atenção ao que ele dizia:

- A PASSAGEM desses franceses por aqui parece uma MARCAÇÃO serrada no nosso território! Vamos logo pedir AMPARO a SÃO MIGUEL DE TAIPU e SÃO BENTINHO, antes que estes soldados consigam tramar nosso DESTERRO para o BOQUEIRÃO ou mesmo nos afogar no POÇO DE JOSÉ MOURA, pois este senhor não gosta da gente, e é bem capaz de nos matar só para agradar esse povo...

- Pelas barbas de SÃO FRANCISCO! Melhor ter SOSSEGO e explicar direito essa história... Antes, porém, preciso de um chá bem quente de CAPIM para despertar de vez... E depois vou saborear uma CAJAZEIRINHA pra destravar a goela...

- Arre! Se for esperar pelo comandante, ninguém escapa de uma traição! Venham comigo, pois sei do que esses franceses precisam!- chamou a cozinheira SOLÂNEA, astuta e matreira.

Num repente ela pegou a panela onde colocou cascas de BARAÚNA e AROEIRAS, frutos de UMBUZEIRO e CARRAPATEIRA, além de MATO GROSSO picado; misturou tudo na água baldeada apanhada no RIO TINTO, ferveu e foi servir com SALGADINHO arrumado sobre folhas de BANANEIRAS.

Alguns franceses já se estiravam na AREIA, e outros preferiam se banhar na ÁGUA BRANCA do RIACHÃO para diminuir a CATINGUEIRA do corpo suado. Todos receberam com BOA VISTA e disposição a fumegante bebida...

Deu-se o desastre! Ao invés de dormirem animaram-se em demasia!

O comandante enfureceu-se igual ARARA e chamou o feito à ordem!

- Quem preparou esta bebida?-gritava irado.

Solidárias, as ajudantes da cozinheira, ITATUBA, PUXINANÃ e a cabocla ASSUNÇÃO, apresentaram-se altaneiras:

- Fomos nós, Comandante!Pelo cocar do nosso Pajé ITAPOROROCA e mais as bênçãos de SANTA CECÍLIA, estamos prontas a consertar o erro e fazer dormirem os franceses! Eles que nos aguardem!- entreolharam-se, maliciosas, e foram cumprir o prometido: adormecer a tropa inimiga, que, em alvoroço, corria atrás das mulheres.

Foi então que as formosas IGARACY e MANAÍRA, com o propósito de ajudar os portugueses, chamaram o irmão ITAPORANGA, e, ás escondidas, atravessaram o AREAL, adentrando pela NOVA FLORESTA que se adensava pujante pelas bordas da LAGOA... Com BOM SUCESSO subiram a SERRA DA RAIZ, alcançaram a CAMPINA GRANDE, onde, não sabiam, mas seus primos CATURITÉ e MASSARANDUBA, entocados em um LOGRADOURO próximo ao RIACHO DE SANTO ANTÕNIO, já planejavam a ocupação da SERRA GRANDE... Faltava o estopim, e ele chegara com a desavença entre tribos vizinhas e o colonizador...


 

Chegamos à segunda parte desta história:

ALAGOA GRANDE ou ALAGOA NOVA como ficou conhecida, foi construída pelo invasor para substituir ALAGOINHA alimentada pelo RIACHÃO DO POÇO que fluía por terras indígenas; a obra desagradou os silvícolas, porque várias CACIMBAS começaram a secar, transformando-se, a maioria, em CACIMBA DE AREIA, principalmente a CACIMBA DE DENTRO e a LAGOA DE DENTRO da taba, assim chamadas por se localizarem muito próximo das habitações, ao lado de revigorante OLHO D’ÁGUA local. Até um dos moradores mais antigos, chamado SÃO JOSÉ DO BONFIM porque para tudo imaginava um final feliz, resolveu acatar a ordem dos portugueses e entupiu sua lagoa particular, passando a ser chamado, por isto, de SÃO JOSÉ DA LAGOA TAPADA...

Ao ver ALAGOA SECA, a tribo entrou em pé de guerra! Revoltados, os índios, capitaneados pelo velho cacique PIANCÓ, tocaram fogo no ALGODÃO DE JANDAÍRA e entupiram os POCINHOS do CAMPO DE SANTANA, duas aliadas ferrenhas dos lusitanos; ainda ordenaram que tribos amigas, bem distantes dali, providenciassem QUEIMADAS para destruir as CAJAZEIRAS, as CARAÚBAS e os pés de CATOLÉ DO ROCHA, por ser este um amigo dos portugueses. Nem a NOVA PALMEIRA que crescia firme enfeitando a CAIÇARA do solitário e inofensivo pescador AGUIAR, ficou a salvo da sanha indígena...

A tropa portuguesa, apreensiva, optou por outra estratégia. Não enfrentaria os selvagens revoltosos. Sob a proteção da SANTA CRUZ, o comandante MONTEIRO, arregimentou brancos e índios amigos, providenciando a soltura do gado do CURRAL DE CIMA e do CURRAL VELHO para conduzi-lo SERRARIA acima, penetrando pelos vales dos rios MAMANGUAPE e CAMARATUBA...

Tudo parecia correr bem para orgulho dos índios CUBATI e CAMALAÚ, incentivadores da estratégia pacífica adotada... Até que o ambicioso sargento SERIDÓ ouviu o pajé PARARI comentar sobre a existência de PRATA, DIAMANTE e OURO VELHO nas terras do proprietário GURJÃO e da esposa APARECIDA, casal poderoso que dominava toda VÁRZEA do RIACHO DOS CAVALOS, e que baseava nestes minérios seu LASTRO financeiro.

Aliciados pelo sargento, muitos brancos e índios o seguiram em busca da fortuna. Depois de muitos dias, finalmente, encontraram uma montanha de PEDRA LAVRADA faiscante sob o sol, que os iludiu pelo brilho, pois, na realidade, se tratava apenas de uma PEDRA BRANCA sem valor econômico... Decepcionados e irritados, desalentados pela sede e fome, dispersaram-se, seguindo por DUAS ESTRADAS distintas...

Sem conhecer a região, os brancos enredaram-se nas moitas emaranhadas de JUNCO DO SERIDÓ, quase foram soterrados pela AREIA DE BARAÚNAS e já quase desvanecidos, ainda deram de cara com a índia guerreira COREMAS que junto com o marido branco TAVARES e o filho JERICÓ, os obrigaram a subir o MONTE HOREBE, para ali se ocuparem com a limpeza diária de um POMBAL, cujo dono, conhecido por SÃO DOMINGOS DE POMBAL, resolvera se aventurar junto com uma MALTA, reconhecidamente belicosa, para tomar as terras da SERRA REDONDA, pertencentes à indefesa NAZARÉZINHO, uma PAULISTA, que, agora viúva não tinha a quem pedir ajuda... A mulher desfez-se, mesmo, do bando de EMAS que herdara, e vendeu-as para serem criadas no CONDADO de propriedade de DONA INÊS, uma portuguesa velha que por ser muito generosa, era chamada de SANTA INÊS pelos servos... Todavia, segundo lenda local, esta mulher se transformava na MÃE D’ÁGUA que, à noite, aparecia no BREJO DOS SANTOS, com olhos faiscantes quais duas PEDRAS DE FOGO, para assombrar com seu grito assustador SÃO JOSÉ DE BREJO DO CRUZ e todos os seus irmãos: SÃO JOSÉ DE PRINCESA, SÃO JOSÉ DOS RAMOS e SÃO JOSÉ DE PIRANHAS, pois era desejo dela expulsá-los daquele SERTÃOZINHO, para ficar como única dona da maravilhosa VISTA SERRANA que a fazia recordar da terra de onde viera: NOVA OLINDA.

Já os índios, mais resistentes e adaptados às intempéries, seguiam adiante, enfrentando com TRIUNFO as barras que iam surgindo, inclusive as mais pesadas, a BARRA DE SANTANA e a BARRA DE SANTA ROSA, duas mulheres de gênio tão forte que eram temidas até pelo Mago COXIXOLA, cujas poções mágicas nunca as atingiam... E o bruxo já experimentara de tudo! Tentara até conduzi-las para longe, MONTADAS em potro selvagem, sem resultado! Nem envenenar o POÇO DANTAS de onde elas apanhavam água de beber ou a QUIXABA, fruta preferida das duas, resultou em malefícios. A salvo das bruxarias, as mulheres iam lidando com os sítios frutíferos e com o gado de suas terras, dividindo com duas primas as tarefas; enquanto o sítio que cuidavam era de laranja, era o da prima SANTANA DE MANGUEIRA, e quando cuidavam dos bodes, cuidava a outra prima SANTANA DOS GARROTES...

Depois de muito tempo de conflitos, os índios se fixaram na região, e, o chefe IBIARA, cansado de tanta peleja, propôs uma parceria entre sua tribo e a tribo do cacique CUITEGI, que bem depois dele também ocupara a área... A pacificação foi festejada com o cachimbo sendo aceso pelo mais velho índio das duas tribos, o Pajé CUITÉ... Juntos, eles concluíram o LIVRAMENTO de todos os presos, inclusive de SÃO BENTO, um santo homem aprisionado apenas por ter comido alguns PATOS que ele disse ter apanhado no lago comunitário, mas de fato fora fisgado, segundo testemunhara SÃO JOÃO DO RIO DO PEIXE, cujo curso banhava a terra do inefável SÃO MAMEDE, que nem dera queixa... Ainda assim, o moço fora preso e teria sofrido um castigo muito SALGADO DE SÃO FELIX, também um homem santo, mas que seguia as leis do Antigo Testamento, “olho por olho...”

Finalmente com tudo resolvido, a dança do CONGO ou congada tomou conta da noite, para agonia das recatadas irmãs, Helena e Terezinha, veneradas como SANTA HELENA e SANTA TEREZINHA, de tão beatas que eram!

 

Foi neste pleno momento de paz que começou a última parte deste “samba do crioulo doido”.

Como tudo na vida tem um senão, eis que o cacique TAPEROÁ e o cacique CUITÉ DE MAMANGUAPE, este, irmão do velho pajé que fumara o cachimbo da paz, uniram-se aos holandeses, e dominaram os portugueses e franceses que, no paradisíaco litoral, esquecidos dos treinamentos bélicos, viviam para os amores com as bonitas índias e negras e para os porres homéricos em festas intermináveis comemorativas da fundação da cidade real; sucumbiram à força do inimigo, mas permaneceram na bela cidade, então denominada de Frederika... Vitoriosos, os dois caciques e soldados holandeses partiram do litoral em busca de outras conquistas. Alcançaram o objetivo, por meio de emboscada traiçoeira, posta em prática bem na hora da referida festa da pacificação...

Deu-se, mais ou menos assim:

FREI MARTINHO chamado para abençoar as tribos apaziguadas, desejava designar dois amigos de regiões vizinhas, SÃO JOSÉ DO CARIRI e SÃO JOSÉ DE ESPINHARAS, para se fazerem presentes na benção, mas para isto acontecer precisava convencer SÃO DOMINGOS DO CARIRI a aceitar que sua região fosse representada, o que não era do seu agrado, por ser desafeto de uma das tribos... Os espiões holandeses passaram esta informação aos comandantes das tropas e estes firmaram a estratégia de guerra: aproveitar os desentendimentos entre brancos e índios. Começaram por agradar alguns caçadores que estavam proibidos, pelos lusitanos, de caçar nas áreas vizinhas à CACHOEIRA DOS ÍNDIOS; deram o suporte e cobertura para que alguns deles se responsabilizassem pela matança de animais: SÃO JOÃO DO TIGRE e SÃO JOSÉ DOS CORDEIROS... Ganharam a confiança deles, e começaram a atrair outros brancos descontentes, bem como negros e índios da região...

Não foi difícil! O descontentamento imperava por toda parte!

O escravo ZABELÊ, por exemplo, não suportava mais a pesada BARRA DE SÃO MIGUEL, seu amo, que o fazia cortar a cana de palhas muito ásperas, dia e noite, ao tempo em que destinava o corte para SÃO JOSÉ DE CAIANA, espécie da planta com palhas mais delicadas, no seu entendimento; decidiu fugir da senzala, levando com ele os outros escravos para se unirem ao invasor holandês na luta contra portugueses e índios aliados destes.

Justo na noite da festança, o combate explodiu!

Indiferentes à guerra iniciada na calada da noite anterior, dois viajantes descansavam sob a sombra das árvores: SÃO SEBASTIÃO DO UMBUZEIRO e SÃO JOSÉ DO SABUGI. Breve teriam a BOA VENTURA de retirar o velho pai SÃO SEBASTIÃO DA LAGOA DE ROÇA um local pantanoso que o fizera asmático. Eles o levaram para a casa da amiga generosa SANTA LUZIA... Não sabiam, mas ela estava hospedando o cacique JURU e o Capitão TEIXEIRA que, ao vê-los, praticamente, obrigaram-nos a se alistar e lutar ao lado dos lusitanos, aquela altura, já quase derrotados pelos holandeses. Também, os dois, fizeram chegar aos ouvidos do bravo comandante SANTARÉM, ora vivendo na distante VIEIROPÓLIS, os reveses que os portugueses sofriam nos combates. Sentindo que era chegada a sua vez de comandar as tropas, ele os seguiu para a luta. Nem a paixão devotada à belíssima e IMACULADA virgem UIRAÚNA foi capaz de detê-lo!

Fez-se acompanhar do amigo SOUZA, um jovem bonachão que nada entendia de pelejas, mas era chegado a uma aventura! Era herdeiro do vasto BREJO DO CRUZ, um senhor de muitas posses que o adotara como filho, após a fuga do filho legítimo, chamado BELÉM DO BREJO DO CRUZ, de quem diziam, ter se destinado para o RIACHÃO DO BACAMARTE, seduzido pela manha e mimos de uma portuguesinha que o enfeitiçara, com voz maviosa, carregada de forte sotaque, que sempre o atraía, chamando-o, cheia de paixão: “vem aqui para a CABACEIRAS da cama e te mostro o céu!”

Assim, as tropas portuguesas, as tribos amigas, além dos negros, mulatos e caboclos aliados, formaram um só exército, sediado inicialmente em MARIZOPÓLIS, onde começaram a se fortalecer com garrafadas estimulantes, preparadas pelo amigo SANTO ANDRÉ com raízes de MULUNGU, e por SANTA CECÍLIA DE UMBUZEIRO...

Todos se sentiram cheios de energia, corajosos, destemidos, e contando, por fim, com o apoio de OLIVEDOS, intrépido Capitão lusitano e do valoroso Cacique GURINHÉM, marcharam para a vitória consagradora que haveria de unir e formar o grandioso território da Paraíba...

Depois do que, foi só deixar tudo nas mãos de JOÃO PESSOA e rezar por um belo futuro!


 


 


 

 

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