Gelza Rocha -Coisas da Vida
Coisas da Vida
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha

             Foi com tristeza que li a notícia da reprovação das contas de campanha-2010, do ex Governador José Maranhão, pelo TER da Paraíba. Não porque me pareça uma sentença injusta para as contas em pauta, por parte deste Poder, cujo exame minucioso das mesmas, por certo, detectou falhas suficientes para assim proceder. Mas, pela injustiça cometida, quiçá, pelo destino, azar, ou por capricho da vida, ao cidadão honrado, trabalhador, e, em especial, ao homem público, de comportamento coerente, digno e ético, José Targino Maranhão.

            Para um homem que trilhou, com brilho e destemor, a longa caminhada política, elegendo-se, muito jovem, Deputado Estadual, depois Deputado Federal, Senador e, assumindo, por duas vezes, o Governo da Paraíba, sem que se tornasse protagonista de escândalos, falcatruas, escambos, propinas e quaisquer outras coisas do tipo, tão presentes no universo político do Brasil, tornar-se inelegível, por causa de um “crime” de caráter técnico, de descuido na organização de contas de campanha, ausência da defesa em tempo hábil, parece-me trágico e injustificável.
            A História da Humanidade está cheia de homens corretos e justos, condenados a todo tipo de martírio, seja físico, seja emocional ou psicológico. Inúmeros pagaram por erros não cometidos, com a própria vida. Galileu Galilei, Vladimir Herzog, Alende, Joana D’Arc, e muitos outros Santos católicos; cito-os, apenas como ilustração do que digo, porque o rol é infindável, sobremaneira, levando-se em conta os injustiçados anônimos, e, estes, eu os tenho entre os meus próprios familiares.
            Em se tratando do período da Semana Santa, há que se considerar o exemplo maior de injustiça dos homens: a crucificação de Cristo.
            O leitor pode estar pensando que estou a fazer comparações impróprias, sem propósito, mesmo descabidas, quando discorrendo sobre o injustiçado José Maranhão eu me reporte, igualmente, a todos estes personagens de primeira grandeza. É que, a meu ver, a injustiça não pode ser avaliada, como algo pessoal, individual, porém, em sua real significação: não existe injustiça maior ou menor, injustiça contra A ou contra B; contra rico ou pobre; injustiça é uma coisa só, que machuca, fere, atormenta, revolta e até mata, qualquer pessoa por ela atingida. Que tenha sido provocada de caso pensado ou por acaso, por maldade, por irresponsabilidade, por omissão...
            Acredito que as contas do Governador foram mal explicitadas, tecnicamente imprecisas aos olhos dos examinadores, tratadas sem a devida acuidade por parte dos relatores (advogados, técnicos, administradores), o que ensejou a sua reprovação. Há de se refletir, entretanto, que, apesar destas falhas, em um universo de quase vinte milhões de despesas, os quarenta e cinco mil reais, sem a devida notificação( se for o caso) bem que poderiam ser considerados como irregularidades menores, passíveis de correção.
            De conformidade com a lei específica, o Processo em foco, poderá ser submetido às instâncias superiores. Portanto, o resultado do TER da Paraíba poderá ou não ser mantido.
 Ainda que se possa aceitar como correto este veredicto sobre as contas de campanha, ele não diminui a injustiça proporcionada ao homem e político José Maranhão, por sua história de honradez ao longo da sua caminhada, até os dias atuais. Coisas da vida...
            Com a força e a coragem que José Maranhão sempre demonstra ante os reveses que lhe alcançam, certamente, não será diferente desta feita.
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