Gelza Rocha -O ESTADO É LAICO. E DAÍ?
O ESTADO É LAICO. E DAÍ?
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha

Não têm sido poucas as notícias ruins sobre a situação da Paraíba, nestes quase dois anos de administração do Governo Ricardo Coutinho.

Tentarei resumir o quadro negativo, sob minha ótica pessoal. E começo pelo setor educativo, pilar de todo desenvolvimento social e econômico de uma nação. Sem capacidade para dialogar, o governo prefere anular os direitos adquiridos, há tempos, pelos Professores, vetando o que foi aprovado por 32 deputados estaduais, em confronto injustificável com o Legislativo e com os trabalhadores da Educação.

Em relação à saúde, não preciso acostar-me ao noticiário da mídia, para afirmar que muitos dos serviços oferecidos clamam por melhorias urgentes. Pessoalmente, vivenciei o drama de familiares de amigos e de conhecidos que precisaram de Postos, de Hospitais, aqui na capital e, também, no interior. Igual um Rei, o Governador também “vetou” a decisão do TRT, contrária, com fundamentação criteriosa, ao contrato do estado com a famigerada Cruz Vermelha. Passando por cima da Justiça, o Governador  renovou-o, sem constrangimento.

Como falar de avanço na área de segurança, ante o quadro desolador que assistimos? Assassinatos, assaltos, sequestros, crianças e adolescentes drogando-se em becos e praças escuras, mas também em plena luz do dia; diuturnamente. Os Policiais desestimulados, por causa dos salários injustos que recebem para colocar a vida em perigo, constantemente, além da falta de suporte material (carros, armas, delegacias, etc.) compatível com a missão perigosa. Também com a classe policial o Governo não se deu ao trabalho de manter o diálogo necessário, vetando as esperanças da classe.

Não vou me estender em falar sobre outros setores do estado, igualmente em situação precária, porque desejo tecer considerações a respeito do título deste artigo. Além de tanta notícia ruim que nos chega sobre sua administração decepcionante, Ricardo acha pouco e resolve nos agraciar com mais uma. “Veta” a celebração de Missa, e de outros Cultos Religiosos, em atividades do Estado, por ser este, laico. Esta é uma notícia ruim, simplesmente porque não é boa. O ato, além de nada somar em benefício do desenvolvimento da Paraíba, ainda constrange os cristãos, maioria religiosa do estado. O “imperador”, não satisfeito em confrontar as classes que compõem a força de trabalho do estado, anulando, restringindo, rasgando seus direitos, decide, do alto de sua sapiência (para rimar com prepotência), fazer ouvido de mercador aos sentimentos de religiosidade do povo paraibano. Não importa se católicos, evangélicos ou espíritas...

O Estado é laico. E daí?  Eu não sou, José, não é, João da Silva, não é, Maria, também não. A população paraibana não é laica. É cristã, em sua maioria absoluta. Possui sentimentos de religiosidade, em sua totalidade, pode-se dizer. Nem mesmo para os que se dizem ateus, esta decisão do governador Ricardo terá qualquer serventia.

Um Rei francês apregoava: “L’État c’est moi”. Penso que o “rei” paraibano age com a empáfia daquele, acreditando ser o próprio Estado.  Tomando, então, para si, a afirmativa constitucional de que o estado é laico, conclui vaidoso, que: “se o Estado é laico e o Estado sou eu, não posso admitir a existência de símbolos ou cultos religiosos em meu feudo”.  E, egoisticamente, “veta” os direitos de uma população de orar, rogar, agradecer, homenagear, lembrar ou comemorar com Missas e Cultos, eventos especiais do Estado, e mesmo de homenagear, vivas ou mortas, pessoas dignas que prestam ou prestaram relevantes serviços à Paraíba, não importa, repito, sejam católicos, evangélicos, espiritualistas... “Veta”, de forma intolerável, a tradição secular de um Estado Laico conviver, em harmonia, com a religiosidade do Povo.

 Qual o mal que pode advir para o Estado, mandar celebrar uma Missa ou um Culto Ecumênico para festejar, por exemplo, o dia da fundação da cidade de João Pessoa?

Que eu tenha conhecimento, até a data da promulgação deste veto pelo “rei” Ricardo, a relação entre o Estado Laico e as Missas e os Cultos jamais causou qualquer dano à Constituição ou à Democracia, muito menos à fé religiosa dos não cristãos.

Esse tipo de proibição corresponde, no meu entendimento, a um zero à esquerda.  Não contribui, em nada, para o engrandecimento da nossa Paraíba e do seu povo. Parece mais um arroubo de vaidade explícita de quem se pensa como o senhor de tudo e de todos. De positivo mesmo, somente a desobrigação das Igrejas de convidar Ricardo Coutinho, enquanto Governador, para se fazer presente em suas celebrações, o que não deixa de ser gratificante para muitos dos fiéis.

  É chegada a hora de todos nós, cristãos ou não, orarmos, ao jeito de cada um,  para que se faça luz onde hoje é só escuridão: o governo de Ricardo Coutinho.

 Viva o Estado laico em harmonia com seu Povo religioso!

 Chega de veto! Chega de guerra!

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