Gelza Rocha -Uma Cena Triste
Uma Cena Triste
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha

Alguns dias atrás, em um noticiário nacional eu vi uma cena que me deixou perplexa! Mais do que tudo, entristeceu meu coração.

Em São Paulo, capital, professores em greve erguiam suas bandeiras e cartazes com as mais justas reivindicações da classe. Sabemos que tanto os salários quanto as condições de trabalho destes abnegados profissionais, não correspondem, no Brasil, à sua importância enquanto base fundamental da educação de um país. E, quando assistimos, estupefatos, os senhores parlamentares, de todos os partidos, aprovarem, e a Presidente sancionar o aumento triplicado para a contribuição partidária, com dinheiro público, maior se faz a nossa indignação a respeito do tratamento dado pelas Autoridades federais, estaduais e municipais, aos Professores do país, desde as capitais até o mais longínquo interior.

No entanto, apesar da justeza de todos os seus pleitos, não me parece admissível que educadores ajam como vândalos, ainda que em pequeno número, segundo afirmação do representante da classe. Ainda que fosse apenas um!

Assistir dezenas de pessoas (!), que se dizem educadores e formadores dos futuros cidadãos brasileiros, depredar o patrimônio público, constituiu-se em uma das cenas mais lamentáveis já presenciadas por mim, enquanto professora. Menos pelo estrago que proporcionaram ao prédio; muito mais pela imagem de irresponsabilidade e de mal educadores que passaram às crianças e aos jovens, estes já tão decepcionados com os exemplos escabrosos de irresponsabilidade e de corrupção praticados no Brasil, há décadas, por políticos e administradores públicos.

Em meus 25 anos de magistério, labutando com dedicação e seriedade nas salas de aula, participando efetivamente de muitas greves por melhoria das condições de trabalho, de salário, por uma educação de qualidade, e há alguns anos já aposentada, eu nunca presenciei (nem ouvi falar) de acontecimento tão destoante do comportamento de um educador. Pode parecer exagero, mas senti vergonha e tristeza diante daquela cena!

A profissão de professor não se sustenta apenas com amor e abnegação, evidentemente. Necessário se faz que protestem, ocupem as ruas para exigir o que é justo. Porém, é injustificável, que se comportem como uma pessoa inconsequente, irresponsável.

Afinal, nós professores somos ou não formadores dos futuros cidadãos deste Brasil? Queremos um Brasil sempre democrático onde cidadãos responsáveis possam ir às ruas, pacificamente, reivindicar seus direitos, sem badernas de qualquer tipo.

Somos humanos, e podemos errar, mas, em movimentos de protesto devemos usar a razão, a responsabilidade da profissão e, acima de tudo, precisamos agir de conformidade com o que ensinamos em termos de educação e de cidadania.

Parabéns à classe dos professores, minha classe, por toda sua luta, ao longo dos anos, em prol de uma educação de qualidade para todos os brasileiros.

 

Gelza Rocha Carvalho

Mestre em Geografia (USP)

Professora Aposentada da UFPB

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