Gelza Rocha -Questão de Respeito
Questão de Respeito
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha

Nem sei se ainda vale a pena comentar sobre os acontecimentos da última Parada Gay

realizada em São Paulo. De toda forma, quando alguma coisa me surpreende, seja pelo

bem que causa, seja pelo mal que produz, gosto de me manifestar. Nunca fui de “ficar

em cima do muro”, nem enquanto estudante, nem como professora universitária, ou

mesmo agora quando já desfruto da aposentadoria, ou seja, enquanto cidadã. Expressar

as nossas opiniões, de modo respeitoso, mesmo que agradando a alguns e desagradando

a outros, é importante para um debate positivo. 

  Todos têm o direito de ser, de viver, de pensar, de se manifestar, da forma que

desejarem... Só não se pode é desrespeitar as pessoas escudando-se numa pretensa

necessidade de se defender uma “liberdade sem limites”, desejo convenhamos utópico,

e nada saudável, pois bem diz o sábio ditado: “tudo demais é veneno”. Até ser livre

“sem limites” pode acarretar danos irreparáveis, não apenas ao indivíduo, mas à

sociedade como um todo... Excesso de liberdade (a maioria das vezes, proporcionada

pelos próprios pais) tem levado muitos jovens a caminhos perigosos e a perigosos

desacertos, sem volta, conforme constatado por vários estudos pertinentes.

  Não quero me ater unicamente a tal Parada Gay, para explicitar a minha indignidade

com certos atos injustificáveis, completamente descabidos e totalmente desnecessários.

Posso falar dos excessos de “liberdade” que acontecem nos desfiles carnavalescos, onde

a nudez, sem nenhuma expressão que se possa considerar artística, toma conta das ruas,

não raro de maneira pornográfica, desrespeitosa, constrangendo os cidadãos que vão às

ruas para se divertir nas festas de Momo. Ou todos estão obrigados a aceitar de bom

grado as manifestações propositalmente imorais?

  Quando se exige respeito é preciso respeitar.

  Qual a valia que teve para a causa LGBT a presença de um deles pendurar-se em uma

cruz? Eu creio ter sido zero. Mais que isso (ou menos): refletiu negativamente para eles.

   Na defesa da atitude da colega crucificada (para citar só esta encenação), os

organizadores do evento afirmam que ela desejava demonstrar o quanto os

homossexuais têm sido discriminados, perseguidos, etc.etc. Esta justificativa não tem

sustentação. Já pensou se as centenas ou milhares de brasileiros igualmente

discriminados, perseguidos, maltratados resolvessem desfilar em um crucifixo? Claro

que esta não é a forma adequada para se expressar as mazelas advindas de injustiças, de

qualquer tipo.

   Evidentemente, não se pode generalizar esta postura (e outras semelhantes ocorridas),

à totalidade dos grupos LGBT, porém, partir para a defesa de atos que desrespeitam

outros cidadãos e instituições tradicionais como as Igrejas, não foi coerente para quem

se diz tão desrespeitado. Desejo adiantar que, não me senti ofendida apenas por ser

católica ou porque eu tenho no Cristo a imagem do bem, da solidariedade, do perdão, do

amor ao próximo, que morreu em uma cruz para nos dar o exemplo do extremo

sacrifício a que se propôs com o objetivo de nos ensinar o verdadeiro caminho da

verdade e da vida, nunca para nos dizer “vejam como me perseguiram!”.

  Mais do que compreensível que representantes de Igrejas se manifestem, indignados,

com a falta de respeito para com imagens e símbolos considerados sagrados. Creio que

Cristo é o Filho de Deus, mas, a minha indignação também se dá em relação ao Homem

que Ele se fez, e é assim que desejo expressar a minha total desaprovação, repúdio

mesmo, ao injustificável desrespeito perpetrado por alguns componentes do LGBT a

toda humanidade...

   Melhor será que todos nós, independente de cor, credo, opção sexual, trabalhemos e

nos manifestemos com clareza, pelo real desenvolvimento do HOMEM enquanto ser

solidário, caridoso, ético, desprovido de egoísmo, voltado para o próximo como um seu

semelhante, pois assim, ainda que este HOMEM cometa erros (exatamente por ser

humano) haverá de buscar o melhor de si mesmo, e, então haveremos de ter cidadãos

verdadeiramente comprometidos com o desenvolvimento igualitário da humanidade.

   Não seria necessário lutar pelos direitos de negros, de homossexuais, das mulheres,

desse ou daquele grupo que se sente desrespeitado em seus direitos de SER HUMANO-

luta que ao meu entendimento gera mais discriminação (cotas para esse ou aquele, terras

para uns e outros, e por aí vai)- se tivermos como prioridade a luta pelo direito de todos

os cidadãos, no nosso caso, de todos os brasileiros.

   Não deixa de ser um tipo de discriminação essas representações de Grupo X, Y e o

que mais for, seja no universo político, seja no campo administrativo, etc. Todas as

pessoas, unidas, devem representar o que realmente são: humanidade criada à

semelhança de Deus.

   “Parada” disso ou daquilo, “Desfile” desses ou daqueles, não resolve absolutamente

nenhum dos vários problemas que afligem a sociedade, seja no Brasil ou em qualquer

parte do mundo. Não raro, geram desrespeito, polêmicas desinteressantes, e só pioram

as relações entre as pessoas.

  Respeitar para ser respeitado, eis a questão!

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