Gelza Rocha -A FAMÍLIA
A FAMÍLIA
Por Gelza Rocha

Por Gelza Rocha

A presença do Papa Francisco na América Latina, tendo como tema principal a Família, pilar maior para a formação moral e ética das gerações, leva-me a refletir sobre a verdade dessa afirmação. E para tanto, busco na forma como meus antepassados, mais especificamente avós e pais, ensinaram aos filhos, na prática, o que é uma família.

  Não basta o ajuntamento de pais e filhos, muito menos a existência de brasões nobres, sobrenomes tradicionais. Família é bem mais que isso!

  Olhando para trás, revivendo cenas ocorridas entre meus pais e nós, seus filhos, até posso admitir certas posturas digamos, ditatoriais, autoritárias, da parte do meu pai.  Mas, oh ventura! O amor profundo, ainda que pouco demonstrado por ele em gestos carinhosos (só expostos com pura emoção, na sua velhice), porém confirmado plenamente na preocupação em buscar o melhor para seus filhos, sobremaneira naquilo que lhe parecia fundamental - e é certo- a educação como a maior herança que poderia deixar para cada um de nós, foi capaz de jogar para segundo plano e até ao esquecimento, atitudes mais autoritárias... 

   Para Severino Alves da Rocha e Maria Alice da Rocha, seus 12 filhos (foram 13, mas uma menina morreu logo após o nascimento), Manuel, Nenéu, Antônio, Maria, Odon, Tarciso, Gelza, Lourdinha, Rochinha, Luizinho, Fernando e Washington, representavam a sua razão de viver, e por eles, tiveram, muitas vezes, de enfrentar batalhas árduas na tentativa de superar as dificuldades, obstáculos, capazes de minar o seu desejo de ver seus filhos educados, formados, profissionais capazes, de modo que a nossa sobrevivência pudesse ser garantida sem as intempéries que eles próprios experimentaram...

   Assim, com disciplina forte, ensinando-nos a respeitá-los, obedecê-los, fazendo-nos sentir que aquilo que exigia de nós era para o nosso bem, formamos nosso caráter, nossa personalidade, nossos sentimentos e postura diante da vida, chegasse ela com dias felizes ou tristes... Ao longo da história da minha existência, até os dias de hoje, posso sentir (e sei que meus irmãos também) dentro do coração e na alma, que sempre fomos guiados por ensinamentos preciosos, disciplinados com atos corajosos, e que, sempre existiu acima de qualquer uma de suas atitudes, um amor sem limites dos nossos pais para conosco.

   E quando reflito sobre a importância da Família na formação dos jovens, percebo o quanto fui abençoada por ter tido uma infância, uma adolescência, vivenciadas nesta estrutura familiar, que me permitiu, já adulta, e continua me permitindo até hoje, avaliar com clareza e justiça, os reais valores que devemos perseguir na busca do que é correto, ético, honesto... E, principalmente, uma estrutura familiar, no exemplo do meu pai e de minha mãe, capaz de nos legar esse sentimento de união familiar, de união de 12 irmãos, seus filhos, só possível de ser alcançada pelo amor pleno, sem limites, transmitido por eles.

   As famílias que podem usufruir de bens materiais para proporcionar aos filhos todas as benesses deles advindos, o que é bom, devem sempre ter em mente, que para não se perder a essência da estrutura familiar torna-se vital a segurança de um afeto pleno entre seus membros.

   Para aquelas famílias menos favorecidas, é imprescindível que as autoridades responsáveis pelo destino das novas gerações, saibam concretizar, sem demagogia, as condições indispensáveis para que estas famílias possam se estruturar como uma família de fato, e, assim, possam bem encaminhar os filhos para os embates da vida...

  Existindo amor e respeito entre todos, mesmo nas dificuldades, sejam quais forem elas, a Família será a viga mestra da boa formação de novas gerações. E, em assim sendo, os “menores”, atualmente, no centro de debates polêmicos, provavelmente não morram e nem matem tanto como hoje, levando a sociedade, com razão, ao desespero da insegurança e à sensação de que vigora a impunidade contra eles.

   É bem verdade que, mesmo bem estruturada em seus aspectos materiais e afetivos, uma família pode se diluir, frente a obstáculos, percalços e fatos que os caminhos da vida, o destino, sabe-se lá mais o quê, traçam para ela... É possível, sim; porém mais difícil que isto ocorra.

  Desejo ardentemente que o Papa Francisco deixe no coração e mente de todos que o ouvirem falar sobre o valor da Família, a convicção de que cada um fazendo sua parte, todos poderão usufruir tempos melhores, com paz e harmonia.

   Nesse momento, em que a Igreja Católica se dedica à reflexão e demonstração da importância da Família na formação da sociedade, quero prestar minha homenagem, numa mistura de reconhecimento, amor e saudade, ao papel fundamental de SEVERINO ALVES DA ROCHA e MARIA ALICE DA ROCHA, ápice da nossa Família, na minha formação.

 

 

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