Iremar Bronzeado -JESUS E O ABORTO
JESUS E O ABORTO
Por Iremar Bronzeado


Iremar Bronzeado

O problema ético do aborto jamais terá uma solução consensual e objetiva, uma vez que tal solução exige como pressuposto, respostas a essas outras perguntas igualmente difíceis, senão impossíveis, de responder: O que é a vida? O que é a vida humana, em particular? Quando o ser humano começa a existir como tal? Quando adquire a fala, a razão e a consciência de si mesmo? Ou já está presente no feto, ou no embrião, ou no momento em que o espermatozóide encontra o óvulo, ou mesmo, potencialmente, no próprio espermatozóide, ou no óvulo ainda não fecundado? Qualquer resposta a quaisquer dessas perguntas envolverá sempre uma enorme carga de subjetividade e arbítrio dogmático não compatível com a racionalidade humana, tampouco com a sã doutrina da fé racional, de que fala o Apóstolo Paulo.
Quando, no campo da ética e da moral, os argumentos se esgotam sem que se chegue a uma resposta objetiva que satisfaça a todos pela clareza de sua incontestabilidade, a solução resvala para o rol das assim chamadas "questões de foro íntimo"; vale dizer, dilemas cuja solução cabe única e exclusivamente à livre consciência de cada indivíduo, no contexto de suas convicções religiosas, políticas e filosóficas, condicionadas às circunstâncias físicas e sócio-culturais em que vive. Tudo passa a ser responsabilidade individual, decorrente de uma decisão de livre-arbítrio, envolvendo exclusivamente o eu e a consciência de cada um. Neste caso, não cabe qualquer intromissão ou ingerência da Lei, do Estado, ou de doutrinas eclesiásticas. Ninguém pode, pois, imputar crime ou pecado sobre as decisões de foro íntimo, como o aborto, a eutanásia, o suicídio e a orientação sexual, entre outros. Para os que professam uma fé religiosa, só Jesus, que lê os corações e sabe todas as coisas, pode julgar. Se é que Ele julga, pois o próprio Jesus afirmou: "Eu não vim para julgar o mundo e sim para salvá-lo" (Jo.12:47).
Vemos, hoje, muitas pessoas e instituições que se dizem cristãs investirem com ira sagrada contra a tendência contemporânea de descriminalização do aborto e outras questões de foro íntimo. Na realidade, o que querem essas pessoas, ainda presas aos ultrapassados ditames legalistas de uma troncha leitura do código mosaico, é o amparo da lei civil para, em nome dela, apedrejar os que, por motivos pessoais de ordem íntima, muitas vezes dramáticos e dilacerantes, que só Jesus pode avaliar - e, com certeza, perdoar - praticam o aborto. Eles se equiparam aos "fariseus e guardiões da lei, que trouxeram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério. Puseram-na de pé diante de todos, e disseram a Jesus: 'Mestre, esta mulher foi apanhada em adultério. Na Lei, Moisés nos ordenou apedrejar tais mulheres. E o senhor, o que diz?' Eles estavam usando esta pergunta como armadilha, a fim de terem um motivo para acusá-lo. Mas Jesus calmamente se inclinou, e começou a escrever no chão com o dedo. Como insistissem na pergunta, levantou-se e disse: 'Aquele que dentre vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra.' Abaixando-se novamente, continuou a escrever na terra. Fez-se silêncio. Depois de um certo tempo, parando de escrever, foi se erguendo lentamente, e viu que a mulher estava só diante dele. Perguntou-lhe: 'Onde estão teus acusadores?' - 'Não sei, Senhor. Foram saindo um a um, encolhidos e cabisbaixos, primeiro os mais velhos, depois os mais jovens.' - 'Ninguém te condenou?' - Indagou Jesus. - 'Ninguém, Senhor!' - 'Tampouco eu te condeno. Vai e procura não cometer outros erros", disse Jesus. (Jo.8:3-11). Nos dias atuais, não faria Jesus o mesmo, diante de uma abortante ameaçada de apedrejamento público pelo farisaísmo dos moralistas de plantão, sempre de dedo em riste e a surrada torá debaixo do ressentido, iracundo e mal cheiroso sovaco? * iremarbronzeado@gmail.com
 

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