Iremar Bronzeado -EDUCAÇÃO: Recursos tem de sobra, o que falta é sabedoria e discernimento.
EDUCAÇÃO: Recursos tem de sobra, o que falta é sabedoria e discernimento.
Por Iremar Bronzeado


 

EDUCAÇÃO: RECURSOS TEM DE SOBRA; O QUE FALTA É SABEDORIA E DISCERNIMENTO
Iremar Bronzeado
Que vão pro inferno o Espaço Cultural, a Estação Cabo Branco, o Centro de Convenções, a Transposição das Águas do São Francisco e outras custosíssimas ostentações de falsa riqueza material, que põem a nu o pungente raquitismo mental dos nossos políticos e dirigentes. Se o dinheirão gasto nestas geringonças tivesse sido aplicado em educação, poderíamos ter hoje uma Paraíba, a exemplo da Coreia do Sul, com todos os seus habitantes portando diploma de segundo grau, egressos de um ensino público de primeiríssima qualidade, ministrado em escolas imponentes, amplas, bem equipadas, confortáveis, climatizadas e, o mais importante, com um quadro de professores cultos e eficientes, dignificados com um piso de remuneração igual ou superior a dez salários mínimos. Tivesse sido feita essa indispensável e ultra necessária reversão de prioridades e, com toda certeza, o nosso Estado já estaria num grau bem mais avançado de desenvolvimento humano e material, bem como, preparado para a conquista máxima de qualquer estado ou nação: a ascensão aos superiores padrões do primeiro mundo.
Este é um raciocínio tão claro e ululantemente óbvio, que qualquer mente, por mais bronca e simplória que seja, de pronto, o assimilará. Agora, o que as mais brilhantes inteligências não podem compreender é como os nossos políticos conseguem ser suficientemente astuciosos para nos passar a perna e enganar a todos o tempo todo. Eles afirmam, quando candidatos, que educação é tudo, que, sem ela, não há desenvolvimento e tudo o mais perde o sentido, e que, por isso, a ela darão toda prioridade; mas, quando eleitos, viram as costas ao que disseram, e vão atrás de obras de pedra e cal, que lhes engordem os bolsos e o caixinha eleitoral, desprezando a pedra do conhecimento e a cal da inteligência, insumos com os quais se constrói a mais importante de todas as obras, o capital humano, fator sem o qual torna-se infamante mentira falar em desenvolvimento, em melhoria da qualidade de vida, em paz e igualdade social. A justificativa é que, com as tais obras, estão criando emprego e renda para matar a fome do povo e acabar com a violência. É a lógica da dominação maquiavélica: esvaziar a mente e saciar o estômago: o "panis et circensis" dos imperadores romanos. O que se sabe é que muitos dos postos de trabalho criados não estão sendo preenchidos por falta de candidatos suficientemente alfabetizados, ou são ocupadas por imigrantes estrangeiros com maior escolaridade. Os desempregados, analfabetos funcionais que saem de nossa escola pública, são jogados ao léu como lixo social.
Enquanto isso, os professores são obrigados a sacrificar os alunos, suas famílias, eles próprios e o próprio ensino, ao lançar mão do último meio de pressão, a greve, na tentativa, muitas vezes vã, de obter um pequeno aumento em seus míseros salários. As respostas são sempre negativas, e as desculpas são sempre as mesmas: não há dinheiro, a arrecadação é insuficiente. Mentira! Empulhação! Impostura! O dinheiro existe de sobra. Só que os governantes preferem enterrá-lo em obras mortas em vez empregá-lo na obra viva do desenvolvimento humano. Ingratamente, esquecem que foi a educação que receberam que lhes permitiu serem o que são e estarem onde estão.
Há cerca de 400 anos antes de Cristo, o filósofo grego Aristóteles, um dos maiores sábios de todos os tempos, disse, com um certo exagero hiperbólico, mas sem fugir totalmente à verdade: "A diferença entre um letrado e um analfabeto é a mesma que existe entre um ser vivo e um cadáver." Estamos, pois, nutrindo corpos sem vida, quando enchemos o estômago dos famintos, sem saciar a sede de saber que trazem na alma.
Mais de Iremar Bronzeado
Veja mais...
PORTAL 100 FRONTEIRAS
Copyright 2011/2015.
Todos os direitos reservados
João Pessoa-PB
Ideias Multimidia