Iremar Bronzeado -SINFONIA X FORRÓ
SINFONIA X FORRÓ
Por Iremar Bronzeado


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O que os capatazes estaduais da cultura estão fazendo com a Orquestra Sinfônica da Paraíba se constitui num hediondo crime de lesa-cultura, secundado pelo obscurantismo e malversação do dinheiro público. Todos se perguntam, estarrecidos: como pode!?: pessoas que deveriam ter um mínimo de lustro civilizatório para ocuparem as posições de mando que conseguiram empolgar, destruírem, assim, impunimente, um inestimável patrimônio artístico-cultural construído ao longo de várias décadas pelo esforço e dedicação de abnegados estudiosos da mais bela das belas-artes, a “linguagem da Divindade” como definia Beethoven? Além de ser a OSPB um instrumento indispensável ao refinamento educacional de nossa população.

O fasci-socialismo caboclo, que ora hegemoniza o panorama político-cultural de nossa nação, busca o universalmente desejado nivelamento social, não pela ascensão das camadas da base às conquistas econômicas, intelectuais e artísticas da classes instaladas no topo da pirâmide, como quer a esquerda liberal, mas pelo decesso  destas ao nível rude e primitivo daquelas. É o que se denomina de “nivelamento por baixo”: uma atitude retrógrada, reacionária e antiprogressista de volta um passado onde predominava, mais do que hoje, a pobreza, o analfabetismo e a ignorância. Parcos de entendimento e pouco afeitos ao exame racional e mais aprofundado dos fatos históricos, com certeza nem tomaram conhecimento de que, em seu nascedouro, o socialismo tinha, em relação à música erudita, uma atitude totalmente oposta a esta do ignorantismo obtuso da nossa esquerda nazifascista. Hitler, por exemplo, um dirigente socialista de primeira linha, que encarnava a luta dos trabalhadores alemães contra a burguesia judaica, era um apaixonado por Richard Wagner, um dos maiores expoentes da música erudita de todos os tempos, no que era acompanhado pelos seus fieis asseclas e seguidores. Na Rússia nazi-comunista de Lenin e Stalin foi feito um grande esforço pelo acesso da classe operária ao ballet clássico e aos concertos sinfônicos do luxuoso e aristocrático Teatro Bolshoi. Na China pós desastrada “revolução cultural” maoísta, ainda politicamente dominada pela ideologia nazi-comunista, reconhece-se o intrínseco valor da música clássica ocidental na formação moral e psicológica de seus cidadãos, e hoje a cultiva com ardoroso vigor e intensidade. Na atual programação das melhores salas de concerto do mundo pululam grandes virtuoses chineses, japoneses, coreanos, frutos do apoio governamental desses países á divulgação e ao ensino da musica erudita.   

Aqui, nesta terra tão carente de inteligência e avanço cultural, o que está sendo endeusado pelos chefetes fasci-socialista e seus intelectuais de botequim é a cultura analfabética do pé cambado no chão de barro batido; é a anti-sinfônica “orquestra sanfônica” do forró pé de serra; são as bandas de rock, e seus indefectíveis anexos, sexo e fumacê canabiólico; é futebol, carnaval e samba, formando a vulgar “cultura” alienante de pé e bunda, com o mais solene desprezo pelo amanho intelectual da mente, da inteligência e do saber.

Para subsidiar esta cultura inculta de pé-rapado as “otoridade” gastam sem parcimônia e sem qualquer critério ético e pedagógico o dinheiro público, no mais das vezes, levando um seu “por fora”, pois, para eles, lançar mão das metamorfoses da mais-valia nada mais é do que se apropriar do que foi secularmente roubado dos proletários pela burguesia capitalista. Mas, para estimular, ou pelo menos manter, o que já foi feito entre nós, com tanto trabalho, dedicação e verba pública, no campo mais edificante da música erudita, a verba fica mais curta do que a sapiência e a erudição dos nossos dirigentes.

Um bom, não raro excelente, instrumentista, que passou a vida toda gastando massa cinzenta e esforço físico e mental na aprendizagem e no aperfeiçoamento da ciência e da arte musical, preparando-se para prestar um valioso serviço educativo à sociedade, ganha uma remuneração ridícula, mixuruca, igual ao de um gari de prefeitura, menor do que o de muitas empregadas domésticas. Uma vergonha, uma ignomínia, uma iniquidade, uma rabugenta perversidade do obtuso ignorantismo da esquerda nazi-fascista.

Enquanto isso, os cachaceiros do forró e os fumacentos do rock ficam milionários, recebendo dos cofres públicos as gordas verbas que alimentam o panem et circenses encobridor das podridões de um poder inculto, incompetente, caipira, sem fineza e sem pudor.

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