SOBRE WJ SOLHA
Por José Bezerra Filho


 

Quando li, no Portal 100 fronteiras, um dos excelentes relatos que o grande W.J.Solha está publicando atualmente, fiquei surpreso com aquela sua capacidade de curar enfermos. Só conhecia a história do “Exu de Fortaleza.”
O filósofo Washington Rocha me pediu para tecer alguns comentários sobre a matéria.
Eu preferi transcrever parte do segundo capítulo de meu novo livro – JOGADORES DE ILUSÕES – que pretendo lançar dentro de poucos meses. O personagem principal deste capítulo é Solha que faz, no relato acima citado, uma ligeira citação do apoio que me deu, em 1980, quando fui vitima de um derrame cerebral. Aquilo que ele, por modéstia, descreve como uma coisa banal, foi uma das atitudes mais dignas de elogios que um amigo poderia ter tomado para ajudar outro amigo.
No livro JOGADORES DE ILUSÕES, a coisa acontece do jeito abaixo:

 


(TRECHO DO 2º CAPÍTULO DE “JOGADORES DE ILUSÕES”)

“...- E o que eu mais admiro em Solha são: o caráter, a verticalidade de ações, sua capacidade de ajudar um amigo nas horas de maior aperto. A ele eu devo um favor que não vou pagar nunca!
- A história de quando você teve o derrame cerebral, não foi?
- Exatamente!
- Eu era criança, mas me lembro bem que ele foi com você e mamãe para São Paulo, onde você se operou.
- Correto! Mas isso dito assim parece muito simples! Na verdade,ele enfrentou uma verdadeira batalha com os gerentes da agência do Banco do Brasil onde trabalhava porque estes lhe negaram a licença para que nos acompanhasse. Por mais apelo que fizesse frente aos administradores, estes se mantiveram irredutíveis. Aí ele tomou uma decisão e disse que iria nos acompanhar na viagem, dessem ou não dessem a licença! Isso porque ele sentia que sua mãe, abatida como estava depois de 15 dias tomando conta de mim dentro do hospital, não tinha condições de viajar sozinha para São Paulo, conduzindo um enfermo que tinha poucas chances de sobrevivência. E Solha fez isso, consciente de que poderia perder o emprego, caso passasse trinta dias ausente. Viajou para, ajudado por alguém no Aeroporto Guararapes, em Recife, subir a escada que dava acesso ao interior da aeronave, conduzindo nos braços este seu pai e amigo que estava escravo de uma cadeira de rodas por ele empurrada da ambulância até àquele local.
Viajou para, solucionar problemas , frente aos hospitais, aos bancos, aos correios, à Cassi...Viajou para dormir num colchonete, no chão, naquele frio horroroso de São Paulo, durante dez ou doze dias, afastado de sua família, de suas obrigações, correndo o risco de ser punido, no Banco, por indisciplina....
Viajou, de volta para João Pessoa, somente quando soube que eu estava fora de perigo.

E o mais nobre: tudo isso ele fez custeando as suas despesas! E até hoje não aceita receber um real de ressarcimento. Em resumo: eu pago todos os meus compromissos com absoluta pontualidade! Detesto dever, sob qualquer pretexto! Mas, vou morrer devendo esse grande favor a ele! Não tenho como pagar!
Só poderia fazer isso se ele um dia sofresse um derrame cerebral e tivesse que ser operado em São Paulo...Aí sim! Eu faria a mesma coisa por ele! Mas eu peço às forças que regem a natureza que isso nunca aconteça! Prefiro mil vezes morrer como inadimplente, como devedor, como velhaco!

- Linda essa demonstração de solidariedade, de amizade sincera! Os amigos certos, papai, a gente só conhece nas horas incertas! E isso que você disse aí no fim, é uma grande verdade.Você teria feito por ele a mesma coisa! Porque você também é um grande!No plano da vida comum, são absolutamente iguais! Só literariamente é que vocês têm – e tinham que ter! – estilos diferentes! E mesmo nesse campo, vocês são dois grandes, cada um com seu tipo especial de grandeza. É ótimo lembrar o que Anne Frank escreveu em seu diário -
“... apesar de tudo eu ainda acredito na humanidade!” Eu também acredito porque conheço de perto homens do porte de vocês dois!”

 

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