Página do Romeu - A CEPLAR
A CEPLAR
Por Romeu


A Ceplar

Nos anos sessenta fiz parte deste órgão estadual, tendo o prazer de conviver com pessoas engajadas num programa de educação popular, utilizando o método Paulo Freire, de notável destaque na época, porque pensado com a forma mais precisa e apropriada por esse grande educador, que ficou conhecido no mundo inteiro. Seu método, absolutamente bem pensado, tinha a condição de motivar a massa analfabeta a se interessar pelo processo, porque baseava-se no seu dia-a-dia, nas suas circunstâncias existenciais, no seu vocabulario e transformado num recurso simples e de aplicação imediata. Surtia um efeito extraordinário, fazendo com que as pessoas passassem a se introduzir no âmbito da leitura, num período relativamente curto, comparado com o método tradicional, muito lento, que terminava por desmotivar as pessoas, cheias de afazeres e responsabilidades, na criação de suas famílias.
Era um método, portanto, mais relacionado com a educação de adultos e, por isso, fiquei com o encargo de me relacionar com as pessoas do campo, ligadas a agricultura. Como nosso contacto com esse meio era menos intenso do que com a população urbana, procuramos nos avistar com lideranças próprias e tivemos o prazer de contar com um líder extraordinário, Pedro Fazendeiro, um grande destaque das Ligas Camponesas.
Pedro nos levou, eu e Edigar, que era pertencente ao Sindicato dos Vendedores Ambulantes, para fazermos nossas apresentações de como seria feita a alfabetização e, lembro-me bem, todos os presentes demonstravam um grande interesse. Chegamos até a fazer parte das concentrações em áreas públicas de Sapé e Mari. Acredito que tudo isso me motivou a esc rever o segundo romance "Carro Doce", editado pela Ânima e com primeiro lançamento no Rio, sendo aproveitado pela UFPB, no seu concurso vestibular. Como está esgotado, começo a pensar numa nova tiragem, só que para vender no Manaira Shopping não dá.
Pouco tempo depois, no final de 63, me transferi para Salvador, onde continuaria com meu curso médico. Logo em seguida, veio o golpe militar e nosso amigo Pedro Fazendeiro foi preso. Depois soubemos, num relato meio confuso, que até hoje não consegui entender: tentativa de fuga... sei lá. Pedro terminou sendo eliminado pelas forças da repressão e até hoje não temos um esclarecimento concreto sobre este fato.

Sábado passado estivemos no Quiosque do Arruda onde foi lançado o Portal 100 Fronteiras, bastante prestigiado por todos que reconhecem em Wasington um batalhador no campo de informação livre e independente. O ambiente estava repleto e o grande Elpídio, com seu instrumento completou aquele evento maravilhoso e acolhedor.

 

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