Página do Romeu - Festival de Areia
Festival de Areia
Por Romeu


Convidado para participar do Festival de areia pelo amigo José Octávio, tive o imenso prazer de retornar àquele evento, que taqntas vezes acompanhei em seus debates, onde pude conhecer, pessoalmente, grandes personagens da nossa literatura expondo suas idéias e podíamos, assim, compartilhar de momentos extraordinários e inesquecíveis.
Por conta disso, fiz um pequeno texto, já que fiquei encarregado de coordenar a mesa de oficina literária que era composta por Braulio Tavares, Fidélia Cassandra, Sérgio de Castro Pinto e Valberto Cardoso.
" Antes de tudo, quero parabenizar os responsáveis pelo retorno do "Festival de Areia", que tanto benefício nos trouxe na área cultural, durante todo o período de suas realizações.
Porque não aproveitar a oportunidade de hoje e falar um pouco sobre os anos de chumbo, contrários ao processo cultural do nosso País, desde seu começo em 64 e que, até hoje, sofremos seus reflexos danosos.

O Brasil vivia uma fase de ouro, reconhecida no mundo inteiro, com o "Cinema Novo" tendo como expoente Glauber Rocha, no campo musical a "Bossa Nova", com Jobim, Vinícius, Nara e tantos outros.
Como tudo isso era uma revelação de nosso pais caminhava para assumir um grande destaque cultural, despertou em muitas mentalidades colonizadoras, a necessidade de bloquear o andamento desse processo de criatividade ampla e abrangente.
O nosso estado também vivia, com intensidade, esse momento e caminhava para uma independência que definiria o destino do Brasil como uma grande nação.

No "Ponto de Cem Réis", coração de nossa cidade, existia uma considerável quantidade de livrarias, como a do "Bartô", onde consegui passar adiante a maior quantidade do meu "Carro Doce", a "Livro Sete", A "Livraria do Luis", a "Livraria Universal" e nossa geração aprimorava seus conhecimentos, o que nos fazia estar sempre com um livro nas mãos.

No entanto, com o processo de mudança a que fomos submetidos, tudo se transformou e nosso "Ponto de Cem Réis", hoje, conta apenas com a "Livraria do Luis", já em condições difíceis de sobrevivência. No "Shopping Tambiá", existia uma, que foi fechada e o mesmo aconteceu no "Mag Shopping". O "Shopping Manaíra" tem duas livrarias, que põem em destaque, livros estrangeiros.
Como não temos livrarias, podemos, aqui mesmo, avaliar todo o reflexo que foi a mudança forçada pelo regime de força que nos foi imposto, até porque, nessa época, foi edificada a imprensa que ainda hoje permanece a mesma, apelidade de "Imprensa Marrom", porque o que era verdadeiramente "verde e amarelo", não fazia parte do seu interesse.

Como resultado, tivemos uma geração que foi induzida a se afastar do aprofundamento do saber, por intermédio da ferramenta máxima que é o livro, como dizia o nosso querido
Castro Alves: "...o livro caindo nálma/ é germe que faz a palma/ é chuva que faz o mar."

E a maior vergonhas literária hoje, podemos constatar na nossa querida Paraíba, berço de Augusto dos Anjos e da moderna literatura brasileira, que hoje é tida como regionalista, exatamente por esse processo vivenciado numa capital, onde não existem livrarias, porque os leitores são, por demais, reduzidos.
O próprio "Festival de Areia" é um exemplo marcante. Aqui tive a oportunidade de conhecer grandes vultos de nossa cultura, que tinham o prazer de nos prestigiar com sua presença e por muito tempo, sem convincentes esclarecimentos, não foram mais realizados."

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