Quanta saudade dos bons carnavais!

Por Rui Galdino Filho
Advogado, desportista e comentarista


Por Rui Galdino Filho ( advogado, desportista e comentarista )

 

João Pessoa-PB, 08/02/2016.

 

Meus amigos, minhas amigas, meus caros leitores. Você ainda brinca carnaval? Já brinquei vários carnavais, porém, nos últimos anos deixei de brincar com medo da violência. Antes, o carnaval era uma festa sadia, onde se reunia os vizinhos, amigos e a família, tudo em homenagem à alegria. Durante o dia, batucadas, ala-urças, mela-melas com maizena e arroizina, fantasias simples e muita diversão. À noite, para quem gostava e ainda aguentava o rojão, tinha os bailes de carnavais nos Clubes.

Nos velhos, tranquilos e bons carnavais, não prevalecia outro interesse que não fosse a alegria. Não havia grandes interesses econômicos e comerciais em jogo. O carnaval era mais barato, seguro e só visava mesmo a elegria. Quantas amizades e casamentos ainda hoje duradouros tiveram seu início durante os velhos carnavais! E não tinha esse negócio de carnaval fora de época, de prévias carnavalescas, etc.

O verdadeiro carnaval era brincado e comemorado nas suas datas, ou seja, de sábado à terça-feira. Na quarta-feira de cinzas, realmente era o descanso, para que na quinta-feira tudo voltasse ao normal no trabalho e nos afazeres, e a partir daí, a preparação para a quaresma e a semana santa, outra data importantíssima para reunir os amigos, a família e refletir sobre a vida.

Aliás, Carnaval, Semana Santa, São João e Natal, sempre foram datas tradicionais para serem curtidas e comemoradas ao lado da família e de amigos. Hoje em dia está tudo diferente e cada fez pior, pois, o interesse econômico-financeiro do comércio, das grandes marcas de bebidas e das redes de televisão em busca de audiência, tomaram conta de tudo e mudaram a maneira de se fazer carnaval e outras festas. O fútil venceu o útil e a alegria perdeu seu espaço para a ganância econômico-financeira das comemorações.

Além disso, o aumento populacional, o crescimento desordenado e não planejado das cidades, o desemprego e a falta de oportunidades, a desestruturação das famílias, a corrupção na classe dominante, a formação educacional cada vez pior, a exploração comercial da fé sem limites, a busca pelo dinheiro e o materialismo, tornaram as pessoas mais individualistas e mais egoístas. Os valores morais, éticos, a amizade, a solidariedade, o amor e o valor da própria vida até parece que deixaram de existir.

Por isso, tanta violência! As consequências dos carnavais atuais, são as piores possíveis. O consumo de álcool e de drogas aumenta a cada dia e tem gerado terríveis problemas nas vidas das pessoas e das famílias. A quantidade de acidentes automobilísticos fatais, é outra realidade nunca visto antes. Assaltos, estupros, brigas, assassinatos, prisões, hospitais de emergência e traumas superlotados. Tudo isso aumenta progressivamente a cada dia e já não se tem mais controle de nada.

A vida ficou banal. Não existe mais aquela verdadeira alegria nos carnavais atuais, pois, alegria contida pelo medo da violência não é alegria, e sim, fuga da realidade. E é isso que acontece hoje em dia. Além do mais, outro fato tem chamado à atenção: “O LIZEU”... O desemprego, a inflação e o alto custo de vida, tem deixado a grande maioria das pessoas com poucos recursos financeiros e estamos cada vez mais reclusos. Lamentavelmente,  o carnaval de hoje só é bom para quem fatura com ele e nada mais.

Deixei de brincar o carnaval de rua, de clubes, de prévias e aqueles fora de épocas. Não posso mais me expor, expor meus amigos e minha família. Tudo está muito perigoso e arriscado. Infelizmente, não vale mais à pena! Hoje, passo meu carnaval em casa, lendo, escrevendo, refletindo, orando, descansando, indo à praia e ao lado de alguns amigos. Quando ligo a TV, só vejo desmantelos e muita utopia no carnaval. Olinda, Recife, Salvador, São Paulo e Rio, são carnavais para faturamentos turísticos e comerciais e nada mais.  Mulheres bonitas e esculturais em busca da fama nas TVs e do dinheiro dos patrocinadores. Tudo é trabalho, menos alegria.

Até os políticos desapareceram dos carnavais com medo das vaias e da violência que eles mesmos deram causa, através da corrupção e das safadezas que andam fazendo. Hoje, o carnaval é uma verdadeira guerra, onde a grande maioria dos foliões são verdadeiras buchas de canhões. Feliz daquele que escapar ileso. Ainda bem que já brinquei bons e tranquilos carnavais onde o grande interesse era a alegria e a pureza nos relacionamentos.

Hoje, tudo é diferente, pois, prevalece apenas o interesse econômico e comercial. O álcool, as drogas, a prostituição, a violência, a depravação e o medo, tiraram a alegria dos carnavais. As prévias e os carnavais fora de época também descaracterizaram e enfraqueceram as festas de Momo. Acabaram as marchinhas e as belas músicas carnavalescas. Hoje, vivemos os carnavais da mídia moderna que manipulam e alienam a nossa juventude, onde tudo é descartável, inclusive, a vida. Paz e alegria são apenas detalhes, panos de fundo, pois, na verdade o que interessa é  vender, lucrar e faturar em audiência.

Quanta saudade dos bons carnavais!

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