Uns mil anos antes de Cristo, os hebreus se dividiam nos reinos de Judá e Israel, e viviam em conflito com os filisteus, um povo de origem helênica que ocupava exatamente a faixa de Gaza. Depois da fuga do Egito e antes de adotarem a monarquia com reis famosos como Davi e Salomão, os reinos hebraicos eram comandados por juízes, guerreiros fortes e dotados de critérios de justiça que cuidavam da proteção dos reinos.
Um desses juízes era o cabeludo Sansão, homem de força lendária, mas com um fraco por mulheres filisteias. A mais irresistível delas era Dalila, uma jovem prostituta que não tinha laços familiares, conquistou o coração do grande guerreiro e recebeu propina dos filisteus para descobrir a fonte de sua grande força e neutralizá-la. Sansão vivia quebrando e derrubando coisas, destruindo teares e dando prejuízo aos filisteus. E também dizimando a fauna, porque despedaçou um leão com as mãos nuas quando foi atacado.
Mais de três mil anos depois, o maior Tribunal Federal do Brasil estava julgando o ex-presidente e sete outras figuras proeminentes do governo passado, por crimes contra a República e a democracia brasileira. Dois votos já eram conhecidos, dos ministros mais temidos da Alta Corte. Ambos foram pela culpabilidade de todos os réus. Mas o destino resolveu pregar uma peça.
Ocorre que o votante seguinte era terrivelmente vaidoso. Parecia que aí residia a sua força maior. Porém o coiffeur do ministro era terrivelmente evangélico. E, qual uma moderna Dalila, substituiu a peruca do ministro por uma peruca paraguaia! E este, qual um moderno Sansão desorientado, privado de sua conhecida força intelectual, proferiu um longo voto que se caracterizou como uma peça pífia, hilária, de ficção.
A nação assistiu pasma, justamente o avesso do se esperava de sua longa cabeleira!
Era uma vez um moderno Sansão…
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