Antonio Caldas
Antonio Caldas
Antonio Caldas

Endereço da alma.

Por: | 04/10/2025


 

Minha alma tem nome e endereço, tem amor, apreço, verbo, tempo, sujeito. Esparrama-se no presente, mas relembra o passado, antevê o futuro. É mediadora, semeadora, cultiva a cultura, permeia a pintura na órbita do espaço. Desenhos, traços, retraços de anos idos, sonhos sofridos, degola de mentes, artilharias, mediações insanas, lousas onde se lavam as mãos com sangue de gente inocente. Quem foi o responsável por este tempo perverso que mutila mentes e decapita pessoas? Maldita incompreensão da tresloucada compreensão humana.

 

Minha chora! Chora a inglória de um povo sofrido, meninos perdidos em antros perversos, pedófilos secretos, celibatários suspeitos. Inferno à vista, pintado de flores, tocaia, dessabores, arrepios, horrores, torturas macabras, bulícios em caçadas, porões de misérias.  Homens sofridos, palafitas, tugúrios, guetos, mãos imperfeitas que burlam a ciência, usurpam a consciência de quem nada tem.

 

Senhor! Qual é o seu preço para votar em mim? Como assim, doutor? Em que escola o doutor aprendeu a nos tratar de maneira tão vil? Ah, seu doutor! Eu nasci aqui no mato, não sei ler nem escrever, minha caneta é a enxada, meu livro é o massapê, meu transporte é o jumento, que até nesse momento é difícil de se ver. Bem, doutor! Se, porventura, o senhor não me entendeu, explicito que o meu voto não está à venda. Portanto, peço vênia para exigir que o doutor tenha modos para nos tratar.

 

Por Caldas


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