Mirtzi Lima Ribeiro
Em uma roda de conversa temática, ouvi de alguém que amar é sofrer. Não concordei, não discordei e não esbocei nenhuma palavra sobre a afirmativa. Eu me limitei a ouvir, a prestar atenção ao contexto e pude me manter calada sobre isso sem nenhum embaraço.
Mas o enquadramento que a pessoa deu, evidenciou-se como direcionado ao amor romântico dedicado por alguém ao seu par.
E naquele momento, a minha mente viajou a uma velocidade superior à da luz e localizou inúmeras aplicações ao conceito de amor.
O amor não se limita ao âmbito dos relacionamentos românticos entre pares, porque ele se aplica a tudo e a todas as coisas.
Em princípio, o amor como uma energia refinada, não comporta ser comparada a uma mera paixão, a nenhum tipo de apego, a eventual ilusão alimentada, aos vários tipos de possessividade ou ao desejo de controlar a vida de outra pessoa.
O amor é superior em vibração, em conceito, em aplicabilidade, em virtudes e em vocação, em respeitar o espaço e as decisões dos outros, portanto, está longe de ser aquilo que muitos associam a ele equivocadamente.
Simpatizo e abraço a acepção contida em tratados que enfocam o amor como uma poderosa energia de agregação, de vida, de plenitude, de integração e de conexão.
Eu amo tudo ao meu redor e tudo o que há em mim, me enxergando como uma partícula do todo, em harmonia e fluindo com ele. Logo, uma das qualidades do amor é a abrangência.
Eu costumo colocar amor em uma comida enquanto a elaboro ou me alimento dela, nos textos que escrevo, no ato de dirigir um veículo, nas minhas leituras, quando acordo ou vou dormir, no que escolho comprar, nos lugares onde vou, no ambiente onde estou, no meu trajeto, nos meus pensamentos, no banho, na ação de fazer todas as coisas diárias, assim como no contato com as pessoas em geral. Aprendi a ser movida através do amor. Eu encaro a existência e o ato de viver como puro amor.
Como lecionou Osho, um místico proeminente e controverso para muitos, é preciso ter amor pelas pedras, pelo rio, pela vida, por si, pelo outro, enfim, por tudo.
E nesse sentido, o amor jamais será dor ou sofrimento. Porque ele é vida, é elo, é lenitivo, é oásis, é aconchego, é Porto Seguro, é sustentação, é firmeza, é justiça, é verdade, é beleza, é fortaleza.
Nós vamos continuar amando aqueles que morrem fisicamente. Eles podem não estar mais presentes de modo material, mas serão eternos dentro de nós, na nossa mente, na emoção e no coração.
E se é assim, posso assegurar que a paixão pode fazer sofrer, mas o amor, enquanto energia que vivifica, jamais trará sofrimento.
Entretanto, as lágrimas quando vertidas no âmbito do amor, acontecem tendo por motivo a saudade, alguma perda por óbito, uma grande alegria, a realização ou a vitória alcançada por aqueles que amamos.
Então, para mim, o amor cura feridas, cicatriza dores, justifica sacrifícios, carrega consigo esperanças, nos sustenta e nos faz vislumbrar os resultados desejados em nossas lutas e esforços.
Um dos grandes conceitos do amor, que jamais esquecerei: ele é o fio invisível que estabelece uma conexão eterna e límpida.
Em uma verdadeira conexão, não há distância, porque ela se mantém perene, nutrindo as almas, oferecendo forças para esperar um reencontro, alimentando uma chama que nunca se apaga. Essa conexão é um fogo que vivifica sem nunca queimar.
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