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Chacina do Rio de Janeiro: um sucesso da estupidez fascista

Por: | 02/11/2025

Chacina do Rio de Janeiro: um sucesso da estupidez fascista

 


Washington Rocha


A chamada Operação Contenção, efetivada nas regiões de favelas do complexo da Penha e do complexo do Alemão, matou em um dia cerca de 130 pessoas. Tal crime de extermínio, levado a cabo por forças policiais do estado do Rio de Janeiro a mando do governador Cláudio Castro, está sendo celebrado não apenas pelas autoridades diretamente responsáveis, mas também por grande parte da imprensa como um “sucesso”. Pesquisas de opinião indicam que no estado e no país a maioria da população apoiou a operação; sendo que no Rio também foi apurado que cresceu a aprovação do governador mandante do massacre.

 

Para que tal feito pudesse ser celebrado foi preciso desonrar a Democracia, rasgar a Constituição e cometer crime capitulado no Código Penal (tipificado com agravantes através de Projeto de Lei 307/07 de autoria do deputado Luiz Couto, do PT da Paraíba).

 

A Igualdade é o espírito da Democracia. E na letra da Constituição temos:

 

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...

 

A ação policial da Operação Contenção foi orientada por uma distinção flagrante: a pobreza. Distinção esta que continuou orientando o rolo da imprensa e o discurso de muitos políticos.

 

A polícia agiu segundo o entendimento de que em regiões de pobreza, tais como favelas e cortiços, a violência pode ser usada ao arrepio de normas legais inibidoras. De modo inverso, há o entendimento contrário de que em regiões ricas a abordagem policial deva ser muito cuidadosa, observando-se rigorosamente as regras da legalidade.

 

O Comando Vermelho (alvo específico da referida Operação) e outras facções de traficantes e de milicianos cometem crimes e precisam ser combatidas; dentro da lei.

 

Num confronto, estando com a vida em perigo, a polícia deve reagir, podendo haver vítimas fatais por conta da sua justa reação. Por tudo que já se registrou sobre o episódio, ficou claro que nem todas as mortes foram decorrentes de confronto; várias foram, inequivocamente, resultantes de execução.

Os mesmos setores que estão banalizando tais execuções costumam clamar aos céus pelo rígido cumprimento do “devido processo legal” quando são pessoas da elite que estão na mira da lei; como empresários ou políticos suspeitos de corrupção.

 

O sucesso desse crime de extermínio perpetrado no Brasil faz parte de uma velha receita antidemocrática, historicamente recorrente desde sua origem na Europa do início do séc. 20 e atualmente regurgitante na mentalidade do extremismo reacionário: a receita estúpida do fascismo.

 

Na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler, o fascismo e o nazismo prosperam e fizeram sucesso por largo tempo, antes de infelicitarem suas nações e o mundo com seus horrores e serem devidamente enfrentados e debelados.

 

Para que não prospere, essa onda fascista que avança no Brasil precisa ser enfrentada de pronto.

 

Como primeira providência democrática, dentro da mais estrita legalidade, o governador Cláudio Castro deve ser impedido e preso.


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