Chacina do Rio de Janeiro: um sucesso da estupidez fascista
Washington Rocha
A chamada Operação Contenção, efetivada nas regiões de favelas do complexo
da Penha e do complexo do Alemão, matou em um dia cerca de 130 pessoas. Tal
crime de extermínio, levado a cabo por forças policiais do estado do Rio de
Janeiro a mando do governador Cláudio Castro, está sendo celebrado não apenas
pelas autoridades diretamente responsáveis, mas também por grande parte da imprensa
como um “sucesso”. Pesquisas de opinião indicam que no estado e no país a maioria
da população apoiou a operação; sendo que no Rio também foi apurado que cresceu
a aprovação do governador mandante do massacre.
Para que tal feito pudesse ser celebrado foi preciso desonrar a
Democracia, rasgar a Constituição e cometer crime capitulado no Código Penal (tipificado
com agravantes através de Projeto de Lei 307/07 de autoria do deputado Luiz
Couto, do PT da Paraíba).
A Igualdade é o espírito da Democracia. E na letra da Constituição
temos:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza...
A ação policial da Operação Contenção foi orientada por uma distinção
flagrante: a pobreza. Distinção esta que continuou orientando o rolo da imprensa
e o discurso de muitos políticos.
A polícia agiu segundo o entendimento de que em regiões de pobreza, tais
como favelas e cortiços, a violência pode ser usada ao arrepio de normas legais
inibidoras. De modo inverso, há o entendimento contrário de que em regiões
ricas a abordagem policial deva ser muito cuidadosa, observando-se rigorosamente
as regras da legalidade.
O Comando Vermelho (alvo específico da referida Operação) e outras
facções de traficantes e de milicianos cometem crimes e precisam ser
combatidas; dentro da lei.
Num confronto, estando com a vida em perigo, a polícia deve reagir,
podendo haver vítimas fatais por conta da sua justa reação. Por tudo que já se registrou
sobre o episódio, ficou claro que nem todas as mortes foram decorrentes de
confronto; várias foram, inequivocamente, resultantes de execução.
Os mesmos setores que estão banalizando tais execuções costumam clamar
aos céus pelo rígido cumprimento do “devido processo legal” quando são pessoas
da elite que estão na mira da lei; como empresários ou políticos suspeitos de
corrupção.
O sucesso desse crime de extermínio perpetrado no Brasil faz parte de
uma velha receita antidemocrática, historicamente recorrente desde sua origem
na Europa do início do séc. 20 e atualmente regurgitante na mentalidade do extremismo
reacionário: a receita estúpida do fascismo.
Na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler, o fascismo e o nazismo prosperam
e fizeram sucesso por largo tempo, antes de infelicitarem suas nações e o mundo
com seus horrores e serem devidamente enfrentados e debelados.
Para que não prospere, essa onda fascista que avança no Brasil precisa
ser enfrentada de pronto.
Como primeira providência democrática, dentro da mais estrita
legalidade, o governador Cláudio Castro deve ser impedido e preso.
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