Pensamentos Provisórios
Hildeberto Barbosa Filho
É claro que o meu poema é uma linguagem individual. Uma fala… Pressupõe, portanto, a existência de uma língua, isto é, de um sistema social, com suas normas, conceitos, relações de poder. A língua é, sim, um corpo político. Tem interesses, finalidades, monopólios, truques, armadilhas, lacunas… Escrevo poemas, faz tempo, e sinto, na pele, os descompassos entre a língua e a linguagem. Principalmente a linguagem poética. A que subverte a insensatez dos códigos, bate forte na trapaça e na dominação das convenções vocabulares, se insinua, libertária, pela composição das fronteiras e barricadas, que inscreve geografias outras, que não tem certezas, que abre, em alta e intensa voltagem, as crateras semânticas do signo, porém, que, enfim, fracassa e se desmancha, anônima areia na praia dos símbolos, porque lhe escapa o nervo primordial da poesia. Infelizmente a linguagem depende da língua. E toda língua é limite…
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