Pensamentos Provisórios
Hildeberto Barbosa Filho
Nada mais insuportável que essas solenidades provincianas. Solenidades toscas, distantes dos fios sagrados dos rituais que respondem pela singularidade do humano. Grosso modo, não cumprem o predicado mínimo da pontualidade e não respeitam a paciência e a fidelidade dos convidados. Formam-se e progridem na ossatura do vazio e da superficialidade. Organiza-se a mesa, declara-se a presença das autoridades (Ah! autoridades nulas e sonolentas!) e abrem-se as veredas para o pitoresco e nefasto palavrório. Nenhum conceito crítico, nenhuma interpretação original, nada que nos faça pensar… Sempre a férula da frase convencional, o encômio falso e gratuito, a retórica grotesca de um bacharelismo caduco. Não acredito nesses atores fora de cena. A cultura, tenho certeza, adoece nessas circunstâncias pitorescas. Deixamos de ser livres e criativos nesse tablado onde reina a mediocridade, para nos transformarmos em escravos diante da estupidez e da idiotia.
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