Alessandra Del`Agnese
Alessandra Del`Agnese
Alessandra Del`Agnese

PARA JÚLIA COM AMOR. UMA CRÔNICA DE ALMA PARA ALMA

Por: | 10/12/2025

Para Júlia com amor, uma crônica de alma para alma

Há amores que não se explicam. São sementes que nascem fora do tempo, florescem antes mesmo de serem regadas, e vivem ah, vivem como se soubessem o caminho de volta mesmo no escuro.

O amor entre uma avó e sua neta, por exemplo, não começa no dia do nascimento da menina. Começa antes, muito antes, quando a avó ainda era menina também e já sonhava, sem saber, com um par de olhos que um dia a olharia como se ela fosse abrigo. É um amor de raízes antigas, dessas que sabem o nome do vento e dançam com ele sem medo.

Julia chegou assim, como um verso que eu mesma escreveria se pudesse bordar o mundo com palavras. Não foi preciso aprender a amá-la. Era como se eu já a conhecesse de outro tempo talvez um tempo em que eu mesma era neta, e minha avó me ensinava a colher amor com as mãos cheias de paciência.

Ela tem no riso a liberdade das andorinhas e nos olhos a curiosidade das almas que vieram para mudar a paisagem. Quando me chama de um jeito que só ela sabe chamar algo em mim se acende. É como se o tempo parasse só para que eu a olhasse bem, para que eu visse ali, tão clara, a continuação de tudo que fui e tudo que sonhei ser.

Não há vaidade neste amor. Nem espera. Nem cobrança. É um amor que se senta no chão para brincar, que conta histórias sem pressa, que penteia os cabelos da infância com dedos de ternura. Amor que faz bolinhos de chuva mesmo sem receita, só com lembrança. Amor que desenha no papel a eternidade em forma de borboletas e corações.

Com ela, reaprendi o silêncio bom aquele que fala mais do que qualquer palavra. Silêncio de quem observa a menina descobrir o mundo com olhos limpos, e reconhece ali o milagre da vida recomeçando de um jeito tão bonito, tão leve, que dá vontade de chorar sem motivo.

E talvez seja isso o amor mais genuíno: essa vontade de existir um pouco mais só para vê-la crescer. Não para ensinar que ela já traz sabedoria nas veias mas para acompanhar, como quem vela uma chama sagrada.

A vida um dia vai segui-la por outros caminhos, eu sei. Mas ela levará nos passos esse amor de avó que é como um perfume na alma, como uma estrela no bolso, como uma bênção bordada à mão. E eu estarei lá, mesmo que não se veja. Estarei nos girassóis que ela gostar, nas histórias que ela contar aos filhos, nos olhos que ela herdar dos meus.

Porque amor de avó não acaba. Ele se transforma em chão. E quem ama assim... é lembrança viva, mesmo quando vira vento.

Com todo o meu amor,

tua avó, que te guarda em cada batida do coração.




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