Sérgio Botelho – Com o título O Turista Aprendiz, Mário de Andrade, autor de Macunaíma, e figura central da famosa Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, publicou, em forma de diário, depois reunido em livro (reeditado pelo Iphan, em 2015), experiências colhidas em duas viagens pelo Brasil. A primeira, à Amazônia, entre maio e agosto de 1927, a segunda, ao Nordeste, entre novembro de 1928 e fevereiro de 1929. No roteiro nordestino, a Paraíba.
O objetivo da viagem que empreendeu ao Nordeste foi sobretudo etnográfico, o que só pode ser devidamente empreendido por meio da convivência direta com o espaço e com as gentes e com as culturas que se deseja entender. Justamente o que ele fez.
Há relatos de Mário de Andrade, sobre sua estada na Paraíba, algumas hilárias, como é o caso de uma “aranha enorme” que lhe atormentou a estadia no quarto de um hotel pessoense, apesar da garantia do dono do estabelecimento de que ela não fazia mal algum.
O hotel era o famoso Luso-Brasileiro, no Varadouro (na Praça Álvaro Machado) de muito prestígio na cidade. Ele conta que chegou para dormir após ser recepcionado pelos amigos José Américo de Almeida, Ademar Vidal e Silvino Olavo, da intelectualidade paraibana.
“Ao chegar no quarto pra que meus olhos se lembraram de olhar pra cima? Bem no canto alto da parede, uma aranha enorme, mas enorme”, escreveu. Terminou encontrando guarida na casa de Ademar Vidal, na Rua das Trincheiras.
Ele usou o susto para se mostrar como viajante vulnerável, nervoso, meio cômico (o que era uma marca de Mário de Andrade), no primeiro instante em que a Paraíba entra nas anotações dele. E o reproduzo, além de me divertir com a história, também para registrar nomes e espaços da cidade na época.
Nos próximos capítulos de Parahyba e suas Histórias, registros culturais de Mário de Andrade, a partir de sua viagem de pesquisa à Paraíba.
https://paraondeir.blog/mario-de-andrade-e-a-aranha/
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