Vi pedras no meio do caminho, algumas vezes encontrei pedaços do destino quebrantados e febris em meio a trilhas ermas. Vi a lógica e a ilógica do Estado oficial se deleitar no balanço da rede no alpendre da “Casa Grande”, vi mucambas jovens escravizadas nas obscenas e violentas crueldades do inacabamento humano. Homens, violentos e soberbos, usufruindo de seus desejos contra a vontade de suas vítimas.
Vi pedras no meio do caminho, ninhos de serpentes humanas atraindo suas presas sem compaixão. O domínio da terra, a posse dos corpos, o prazer de violentar a virgindade da inocência. Estamos em pleno século XXI, mas os costumes hierárquicos dessa elite branca ainda estão arraigados em memórias macabras por dissonância de cognição dos herdeiros do racismo estrutural.
Ainda perdura entre nós, ranço do modelo excludente e escravocrata esparramado em todos os rincões desse Brasil caboclo, Brasil gigante. Homens e mulheres famélicos de oportunidades educacionais, culturais, econômicas e sociais que perambulam às margens das sarjetas sem perspectivas de encontrar ancoradouros seguros. Homens vilipendiados pelo egoísmo do próprio homem.
Eita que mundão sem Deus. Eita, que terra fértil e farta para poucos e escassa para os filhos da própria terra! Quantas riquezas abundantes para quem nada faz e pobreza absoluta para quem produz em abundância! Pedras no meio do caminho, pavor, medo e incerteza para aqueles que nada têm e tudo falta. Enfatizar que: "se a educação não pode tudo, sem educação não pode nada.”
Caldas
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