Nessa madrugada seca, ouvi o som do trovão, vi o recorte da lua cheia resplandecer de clarão, o relâmpago em caracol iluminando o sertão.
Vi a produção de mel no engenho do uruçu, a arribaçã revoar, o boi mugir no curral, vi o tempo levantar sem um resquício de nuvens.
Vi cerca de pau a pique separando duas estradas, um córrego seco chorando, lembrando da trovoada, vi o dia amanhecer, vi o chão esturricar, sem água para beber, vi a criança chorar.
Lembrei-me da minha infância, correndo na capoeira, galo cantando no terreiro, a abelha fazendo o mel, vi a mulher rendeira tecendo um varal de cordel.
Caldas
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