
A Carta
Meu amor,
Escrevo estas palavras não para ti, mas para a pessoa que um dia me amar. Sim, para ti, que seguras este papel sem ainda saberes que ele te esperava. Estas linhas são um mapa do meu coração, traçado antes mesmo de conhecer os teus olhos.
Se estás a ler isto, significa que encontrámos um ao outro no vasto oceano do tempo. Que as nossas almas, após tanto procurar, finalmente se reconheceram. E por isso, antes de tudo, quero que saibas isto: a minha maior gratidão é por teres tido a coragem de amar. Por teres visto além das minhas paredes e tocado na essência do que sou.
Amar-me não será sempre fácil. Trago comigo sombras que dançam à luz da lua e cicatrizes de batalhas silenciosas. Haverá dias em que me recolherei no meu silêncio, não por falta de amor, mas porque às vezes a alma precisa de respirar na sua própria língua. Prometo, porém, que sempre voltarei a ti. E trarei contigo, para esse meu mundo interior.
Prometo amar-te com inteireza. Amar-te nos dias de sol e nos de tempestade. Nos teus momentos de força invencível e naqueles de vulnerabilidade delicada. Quero conhecer cada uma das tuas histórias as que contas com sorrisos e as que guardas com cuidado no baú da memória.
Juntos, construiremos um refúgio. Um lugar onde as palavras duras do mundo não entrem. Onde possamos ser completamente nós mesmos, sem máscaras ou armaduras. Onde o teu riso ecoe nas paredes e o teu silêncio seja compreendido como outra forma de diálogo.
Não prometo perfeição sou humana, falha , em constante transformação. Mas prometo autenticidade. Prometo mostrar-te o meu verdadeiro eu, mesmo quando for desarrumado. Prometo escutar não apenas o que dizes, mas o que calas. Prometo celebrar as tuas vitórias como se fossem minhas e segurar-te a mão nas derrotas, lembrando-te que nenhuma escuridão é permanente.
Que a nossa seja uma história escrita a quatro mãos. Que possamos dançar na cozinha ao som de música que só nós conhecemos. Que criemos os nossos próprios rituais o café da manhã partilhado em silêncio, os caminhos percorridos de mãos dadas, as constelações que só nós conseguimos ver no céu noturno.
E quando o mundo parecer pesado demais, lembra-te: temos um ao outro. O meu amor por ti não é uma gaiola, mas um porto seguro. Não é posse, mas celebração da liberdade que temos em escolher-nos, dia após dia.
Talvez esta carta seja um voto, um compromisso antecipado. Um juramento de que, quando finalmente te encontrar, reconhecerei em ti o lar que a minha alma sempre procurou.
Até que os nossos caminhos se cruzem,
A pessoa que te espera,
e que já te ama,
sem mesmo conhecer o teu nome.
P.S. Guarda esta carta. E quando um dia a releres, sorri, sabendo que cada palavra se cumpriu no espaço entre os nossos corações.
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