Antonio Caldas
Antonio Caldas
Antonio Caldas

O tempo me permitiu ficar

Por: | 19/02/2026

O tempo me permitiu ficar.

 

É, velho amigo, o tempo me permitiu ficar. Para tanto, resistir às intempéries e debelar os obstáculos. Por vezes, tive que agir apressadamente para construir sonhos realizáveis e projetar metas de sobrevivência no caminhar entre as diversidades que permeiam os meios e os extremos.

 

Decerto, carrego no corpo e na alma cicatrizes acumuladas no lumiar da longevidade. As profundas erosões na pigmentação da pele e sulcos que, às vezes, não levam água para irrigar as crateras da mente. Mas, o tempo me permitiu ficar.

 

Muitos dos que convivemos juntos, por força da lei cósmica que não nos permite conhecer, não conseguiram ladear esse longo trecho que percorri até aqui. Nós nos separamos em quaisquer dos pontos de intersecção entre caminhos. Mas restaram as lembranças que jamais morrerão.

 

O texto é um pouco melancólico, mas é real. É triste, mas ao mesmo tempo, é alegre. É alegre por nos oportunizar refletir as boas lembranças, comunicar no silêncio profundo com os que amamos, convivemos e compartilhamos, corpo, alma, mente, liberdade e a desnudez da memória. O texto é melancólico, porque conhecemos a realidade de que viver é dividir para contar.

 

Permita-me pedir vênia por pensar assim, perdoe-me por fazer emergir lembranças que ainda doem. 

 

Caldas


FONTE: portal100fronteira - Acesse

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