Pensamentos Provisórios
Hildeberto Barbosa Filho
Imagino que morri, faz algum tempo. Não trouxe nada de bagagem. A não ser o que vivi e amei. Amei e vivi certa viagem que fiz por um país distante e esquecido; o aroma do vento que tive na infância; as gotas da chuva, quando chovia na minha terra; os crepúsculos melancólicos da minha terra; a beleza do cavalo sem sela, o corpo sagrado de Neblina, uma novilha quase perfeita; a veracidade do meio-diia na sombra dos grotões, o primeiro alumbramento à beira da lagoa, a volúpia da coroa de frade, a planície verde do matapasto, o amor pela minha coleção de pedras; a fruição de certas iguarias, certos vinhos, certos uísques, certas leituras, certas paisagens; uma carícia, um corpo, um olhar, um sonho, a dinamite do orgasmo, a miraculosa solidão
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