Sérgio Botelho
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Sérgio Botelho

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Mercado de Tambiá

Por: | 21/02/2026



Sérgio Botelho* – Nas pesquisas que fiz sobre Jovino Limeira Dinoá, visitei a edição online de A União datada de 14 de fevereiro de 1896, na Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Foi onde encontrei o edital assinado por Dinoá explicitamente na condição de Prefeito da Capital. 

Na mesma edição, há uma nota dando conta dos trabalhos de conclusão do Mercado de Tambiá, que, segundo se sabe, ocupou o espaço onde posteriormente foi erguido o Cine Municipal. Na origem urbana, uma praça que homenageava o Barão do Abiahy, mesmo nome da rua lateral, hoje.

O curioso é que trabalhos acadêmicos e historiográficos indicam 1893 como o ano da conclusão do referido mercado. A coincidência entre 1893 e 1896 é que ambas as datas se inserem no primeiro governo de Álvaro Machado (1892–1896). A notícia publicada em A União em 14 de fevereiro de 1896 apresenta caráter factual e, por isso, possui grande força como evidência.

A notícia de 1896, inclusive, é bem completa quando se trata de explicar o início do funcionamento do mercado. Isso porque, a mesma edição explica que estaria sendo aberta concorrência para locação dos compartimentos destinados à comercialização de mercadorias próprias de um equipamento de feira.

O Mercado de Tambiá foi principal ponto de comércio coletivo de João Pessoa praticamente em toda a primeira metade do Século XX, sendo substituído pelo novo Mercado Central, entre as avenidas Pedro II e Almeida Barreto. A demolição do Tambiá teria ocorrido no início da década de 1950.

Outra curiosidade que cerca a história do Mercado de Tambiá é a destinação do espaço que lhe serviu de endereço. Como já disse, era uma praça, e, como tal, um bem público. Como passou de público para privado é um desafio para o entendimento contemporâneo.

*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.



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