Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa

A Ideia

Por: | 09/03/2026

Letra Lúdica
Hildeberto Barbosa Filho
A Ideia

Fui rever algumas passagens de Às horas mortas, primeiro volume do meu jornal literário e me deparo com um marca-texto com estas palavras:

“A Ideia Editora está com uma coleção para as quatro estações: Coleção Carpe diem. Não importa sua preferência (poesia, crítica literária, romance, educação etc.). Temos a melhor literatura para você não perder a boa leitura em qualquer época do ano. Passe na livraria mais próxima e aproveite!”.

Bons tempos os anos 90 do século passado! Marcos Nicolau, eu, Wellington Pereira e um grupo de amigos criamos a Editora Ideia, em meio a um projeto cultural que abrangia a Revista Ler e uma série de Seminários sobre temas heterodoxos e antiacadêmicos, a serem debatidos em vários recantos da cidade. Debatidos por gente de formação intelectual diferente e que tivesse indiscutível presença crítica na cena cultural.

A Ideia surgiu, assim, em circunstâncias efervescentes e em ambiente de viva discussão acerca da “paixão”, da “mentira”, do “riso”, da “blasfêmia” e outros assuntos que mobilizavam nossos interesses cognitivos e pedagógicos. Éramos escritores, mas também educadores, vinculados à UFPB, porém, com uma consciência crítica que ia além dos anódinos corredores do campus universitário.

Lembro-me de outras Coleções que a editora promoveu. A “Pasárgada”, de poesia; a “Sofia”, de ensaios, e a “Diadorim”, de ficção. Alguns títulos foram publicados sob o peso editorial destas rubricas, a exemplo do meu O livro da agonia e outros poemas, na primeira Coleção; Leitura: janelas abertas para o mundo, de Carlos Alberto Jales, na segunda; As possibilidades do róseo, de Wellington Pereira, e Os mendigos de Deus, de Marcos Nicolau, na terceira Coleção.

O nome da editora, quem deu foi o poeta Lúcio Lins. Numa de nossas habituais reuniões, Marcos Nicolau perguntou se algum de nós tinha alguma ideia para dar o nome à casa. O poeta de Perdidos astrolábios, com sua presença de espírito incomum, não se fez de rogado, e disse, na bucha: “Eis o nome, Marcos, IDEIA”. Aprovado na hora.

O tempo passou, a Editora se estabeleceu, se consolidou no mercado. Marcos Nicolau, seu primeiro titular, foi substituído pelo irmão, Magno Nicolau, o atual editor. Este lhe conferiu novos rumos e vem, a partir de critérios editoriais, sensíveis e inteligentes, prestando grandes serviços à cultura e à história do livro na Paraíba.

Siegfried Unseld, na obra, O autor e seu editor, fala de um “eros pedagógico” que rege a missão de um bom editor. Este eros pressupõe, quero crer, sentido de adaptação, organização, resistência, entusiasmo. Amor aos livros. Aos bons livros. Magno Nicolau sabe isto como poucos!

(Publicado ontem, 08/03/26 em A Uniao)


FONTE: A União - via Facebook - Acesse

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