Pensamentos Provisórios
Hildeberto Barbosa Filho
Ficcionistas são seres estranhos. Ousam saber de todas as coisas. Parece que possuem uma ciência secreta sobre realidades ocultas. Se isolam na escuridão do texto por anos a fio como velhos caramujos desabitados. Não só dominam os nervos da palavra, os tegumentos da língua, a ordem hierárquica da sintaxe, o insólito dos desfechos e das criaturas. Sabem, não sei como, dos sigilos aquáticos de um apiario, das equações irresolúveis da matemática quântica, de como se faz o traçado bizarro de uma pocilga, de como a memória se digladia com a imaginação numa cena natural ou num pesadelo erótico. Não aprendi essas coisas em outra disciplina que não seja a disciplina alucinatória do ficcionista partejando seu mundo imaginário e insubstituível.
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