José Mário Espinola
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A NOVA IDADE DAS TREVAS, por José Mário Espínola

Por: Crônicas de José Mário Espínola | 19/03/2026

No princípio eram as trevas. O ser humano, já bem desenvolvido fisicamente, ainda portava um cérebro primitivo. Temia tudo o que não entendia.

A escuridão da noite era repleta de seres monstruosos construídos pelo medo que sentia do desconhecido. O domínio do fogo iniciou o longo processo de conhecimento, que evoluiu até o computador.

A informação tornou-se fator muito importante para a evolução social e científica do homem. Ela veicula o conhecimento, divulga conquistas, tornando-se preponderante para o homem desenvolver-se.

Essa veiculação sempre foi muito frágil, todavia, pois pode ser facilmente deturpada e divulgar o atraso caracterizado pelo medo do progresso alcançado, como agora.

A ignorância moderna está combatendo o avanço científico alcançado ao longo dos últimos séculos. Muitas conquistas científicas estão sendo contestadas, tomando como base apenas o preconceito religioso. O inverso do que aconteceu, a partir do Renascimento.

Se antes o homem não podia estudar a anatomia, por exemplo, por razões puramente dogmáticas, gradativamente foi conquistando o direito de estudar a anatomia, a histologia, a embriologia… Estudar medicina, afinal de contas!

Nas últimas décadas, vem voltando a crescer o pensamento religioso, resgatando todos os dogmas anatemáticos de um passado de ignorância plena. Paralelo a isso, cresce também o pensamento ultraconservador, que alimenta religiões baseadas na deformação da sociedade.

Essas igrejas conquistam os seus seguidores difundindo ideias retrógadas, baseadas na ignorância, e aproveitam-se da fragilidade da comunicação para enriquecer os seus cofres.

Qual feudos modernos, a comunicação se baseia em bolhas isoladas chamadas grupos, onde só circula o que os seus modernos senhores desejam, mantendo os modernos escravos sob seus domínios.

Esses grupos disseminam o ódio entre os seus “moradores”: contra os outros feudos, digo: outros grupos. Isso os mantém unidos, saciados de desinformação, não sentindo necessidade de comparar o que recebe com o que é difundido na mídia regulamentada, profissional.

Nesses grupos predomina pauta ultraconservadora. Antiaborto, total criminalização das drogas, contra a igualdade e a liberdade da mulher, criminalização dos jovens, intolerância generalizada: de raça, de gênero, de status social.

Veem os seus empregados como se fossem os escravos do passado. Pregam o atraso científico e tecnológico, quando rejeitam as vacinas e a urna eletrônica. Encaram idosos, portadores de algum tipo de deficiência, como seres inferiores, e que constituem algum tipo de estorvo à sociedade dominante.

Semelhante ao ponto de vista dominante entre os alemães, na Alemanha nazista. Além de tudo, encaram pretos, pobres e mulheres como seres inferiores, predestinados a servir os seus novos senhores feudais.

Eles pregam o fim da democracia e suas instituições basilares, especialmente combatem o Judiciário.

Com um certo exagero, prevejo e temo que brevemente os nossos médicos sejam transformados em alquimistas, se continuarem evoluindo assim! A união desses “feudos” resultará em repúblicas fundamentalistas, dominadas por religiões ultraconservadoras.

Essa é a minha forma de explicar o atraso social e evolutivo que a civilização ocidental está apresentando. Espero estar equivocado.


FONTE: Blog do Rubão - via Facebook - Acesse

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