Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa
Hildeberto Barbosa

Quem me lê está sempre lendo outros

Por: | 21/03/2026

Pensamentos Provisórios

Hildeberto Barbosa Filho


Tudo que escrevo vem de dentro de mim, mas também das vozes alheias que me modulam na maldição de versejar. Nunca celebrei a ilusão da originalidade. Sou inteiramente cético quanto a conceitos que tais. Sei, no entanto, que sou único, num tom e numa disposição verbais que são só meus, embora não negue vestígios de Pessoa, de Drummond, de Bandeira, de Cabral em muitos poemas que escrevi. São, entre tantos outros e outras, meus mestres. Meus pais. Meus fantasmas. Minhas admirações. Meus incômodos. Meus demônios. Dessa mistura, agônica e incontornável, e de outros ecos que se cristalizaram em minha alma, resultou a minha doida e doída dicção lírica. Um verso, por exemplo, tem algo de Bukowski; outro, alguma coisa de Eliot. Uma imagem foi colhida na fonte gloriosa de um Borges; uma outra, quem me deu foi Sylvia Plath. São tantos os pensamentos de Pessanha, de Bertold Brecht, de Paul Celan, de Maiakovski, de Wallace Stevens, de Garcia Lorca, a se insinuarem na correnteza das palavras que escrevo, que eu mesmo não me acho, pronto, acabado, definido, em meio ao caos de minha poesia. Quem me lê está sempre lendo outros. Não está só comigo. Me dissolvo na expressão de outros poetas. De poetas maiores. Isto me orgulha.


FONTE: Facebook - Acesse

Todos os campos são obrigatórios - O e-mail não será exibido em seu comentário