Honestidade
Hildeberto Barbosa Filho
Honesto,
só sargento Getúlio,
o sonho de Madalena
que ontem escalei
com os lábios da teologia.
Quando meu feirante
me pede um real
por um molho de alface,
é mais honesto
que as auréolas do idealismo.
Estou muito bem
se viajo nos navios da vida.
Nunca tive medo de viver.
De morrer, muito menos.
Aprendi as lições da seca,
a didática do inverno.
As novilhas
apascentavam meu coração
dentro do leite e da neblina.
Cortei palma miúda
como se cortasse a pele
das amadas,
Alfazema, Diáspora, Cerração.
Aquele cardeiro,
áspero, agudo, simétrico
como um pensamento de Pascal,
me pôs na velocidade do mundo.
Agora enfrento a banalidade
como se fora milagre.
Vou morrer escrevendo
meus poemas.
Todos os campos são obrigatórios - O e-mail não será exibido em seu comentário