Meu pai era vicentino - da Sociedade São Vicente de Paula.
Minha mãe tinha um diploma de Filha de Maria.
Daí que,
no ginásio, como a exigência da professora de Geografia das Américas era de que todos os pontos fossem decorados - e eu sempre tive dificuldade enorme pra gravar seja lá o que for - eu estava tenso, no dia da prova oral, por isso fui à catedral de Sorocaba, pedir ajuda.
De joelhos juntos na base do altar de Nossa Senhora das Dores, o livro verde encostado neles, as mãos postas, olhos nos punhais de prata fincados no coração da Virgem, fiz a súplica. O livro – capa dura – se abriu. Automaticamente,depois de me persignar, meti o indicador nele e me levantei. Ao sair da catedral vi que a marca era na matéria sobre o Equador. Sentei-me num dos bancos da praça e li não sei quantas vezes o ponto indicado. Na sala, como meu número era 48, por causa do W do meu nome, li e reli aquilo até a exaustão. Até que fui chamado:
- Número 48!
Fui lá, postei-me de pé ante a professora que lembrava muito a Libertad Lamarque – atriz em voga na época -, ela me mandou tirar um dos papeizinhos dobrados de dentro da caixa de Matte Leão, tirei-o, entreguei-o a ela, vi-a desembrulhá-lo e me dizer:
- Ponto 14. Fale tudo que sabe sobre o Equador.
Tirei 10.
E fiquei com a sensação de que fora desonesto.
Todos os campos são obrigatórios - O e-mail não será exibido em seu comentário