Oração
Hildeberto Barbosa Filho
As pedras paralisadas
me movem o espanto
nas veias dessa manhã.
É um domingo neutro
a se desdobrar sobre a pele
dos campos paralíticos.
Há uma enorme e sagrada
limpeza batendo forte
no meu coração.
Meu coração, bicho feroz,
atento aos decretos do sangue.
A vida também acode, aqui,
dentro do silêncio, do absurdo.
As criaturas cumprem
a caligrafia do destino.
O mais fino tesouro da terra
se converte numa oração
sem motivos. Opaca, laica,
salubre como o alho natural
que me governa.
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