Sérgio Botelho* – Pouco tempo depois de batizada como Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, a atual João Pessoa passou a se chamar Filipéia, homenageando o rei Filipe II, da Espanha.
Mas por que Espanha? É que entre 1580 e 1640, Portugal esteve sob domínio espanhol, no período conhecido como União Ibérica. Justamente no tempo em que se dá efetivamente a conquista da Paraíba.
Na expedição de 1584, a penúltima, a presença espanhola no esforço da conquista se destaca com a participação, no comando, do general Diego Flores de Valdéz. Embora já com o envolvimento do português Martim Leitão.
Na firmação do acordo com os Tabajaras, que resulta na conquista da Paraíba, o papel decisivo coube mesmo a Leitão, mas Diego Flores cumpriu também uma missão de grande relevância do ponto de vista dos conquistadores.
Na expedição que comandou e que abriu caminho para a ocupação, foi ele quem chegou com a armada, combateu franceses, levantou o Forte de São Felipe e São Tiago e marcou a primeira presença militar estável no território.
O Forte de São Felipe e São Tiago foi o primeiro baluarte erguido pelos conquistadores ibéricos no esforço final de ocupação da Paraíba. Isso, em 1584, no lugar hoje conhecido como Forte Velho, em Santa Rita.
O lugar fica na margem esquerda do rio Paraíba, em frente à área da Restinga, do qual resta, embora em ruinas, a atalaia, ou seja, o posto de vigilância, local de forte atração turística.
Mesmo com existência curta, o Forte de São Felipe e São Tiago teve grande importância histórica. Ele marcou, como se pode depreender, o primeiro ensaio de fixação militar estável dos ibéricos na capitania, sob direção espanhola.
Dessa forma, pode ser entendido como o início da ocupação efetiva do território paraibano pelos conquistadores.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor
https://paraondeir.blog/participacao-espanhola/
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