
É comum observar veículos de comunicação tradicionais, como a Rede Globo, entrarem em um paradoxo ao analisar a China. Ao mesmo tempo em que admitem o papel central do Estado na condução da economia — o chamado planejamento centralizado —, insistem em rotular o sistema como "Capitalismo Chinês". Essa confusão nasce de uma premissa neoliberal que tenta sequestrar o conceito de comércio, tratando-o como se fosse exclusividade do sistema capitalista.
1. Definindo os Termos do Jogo
Para entender o progresso chinês, é preciso resgatar as definições básicas que a narrativa dominante costuma misturar:
Comércio: Uma atividade milenar de troca, compra e venda. Existia antes do capitalismo e persiste em sistemas socialistas inseridos no mercado global.
Capitalismo: Sistema onde os meios de produção (fábricas, terras, tecnologia) são de propriedade privada. O rumo da economia é ditado pelo lucro individual e pelo mercado.
Socialismo (Modelo Chinês): Sistema onde o Estado detém a propriedade ou o controle estratégico dos meios de produção. O governo decide onde investir, quais indústrias priorizar e como expandir a infraestrutura nacional.
2. O Estado como Motor do Progresso
. A reportagem evidencia que a China não atingiu a liderança mundial em robótica ou a maior malha de trens-bala do planeta por meio da "mão invisível do mercado". Foi o Estado chinês, através de planos quinquenais e investimentos massivos, que forçou o avanço tecnológico e a superação da pobreza.
Enquanto no capitalismo tradicional o governo muitas vezes serve aos interesses de um grupo de empresários e conglomerados de mídia, na China a lógica é inversa: embora existam bilionários e empresas privadas, eles operam sob as rédeas e diretrizes do Partido Comunista. Se uma empresa privada não se alinha ao projeto de desenvolvimento nacional, o Estado intervém.
3. A "Tara Neoliberal" e a Resistência ao Rótulo
Chamar o sistema chinês de "capitalismo" é uma tentativa de não admitir que um modelo de orientação socialista e estatal possa ser mais eficiente na geração de superávit e infraestrutura do que o modelo liberal ocidental.
"Na China, o capital está a serviço do projeto de nação; no capitalismo periférico, a nação está a serviço do capital."
Conclusão
A China prova que é possível estar integrado ao comércio mundial sem abdicar do controle estatal sobre os rumos do país. O "sucesso chinês" que a mídia agora descobre nada mais é do que a aplicação rigorosa do socialismo de mercado: o Estado no comando, a tecnologia como ferramenta e o comércio como meio de inserção global, e não como um fim que justifica a entrega da soberania nacional.
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