
No Recanto das Letras, há um cara que gosta de visitar nossas escrivaninhas e elogiar a boa produção. Em alguns conselhos técnicos, dá dicas preciosas de como construir bons textos (sonetos, haikais, poetrix, etc.) É professor de teoria da literatura. Seus textos literários, entretanto, não me empolgam nem um pouco.
Na faculdade de filosofia, meu professor de estética (ou filosofia da arte) contou-nos que, na adolescência e início da juventude, era músico e liderava uma banda onde (achava que) cantava e tocava. Foi cursar núsica na USP e, à medida que os estudos evoluíam, concluiu que suas composições eram péssimas e que não sabia cantar nem tocar (os pseudo-artistas do sertanojo precisavam ouvir essa história). Então, decidiu aprofundar-se em estética. Fez doutorado na Alemanha e, hoje, além de professor universitário, é tradutor do filósofo e teórico das artes Theodor Adorno.
O extraordinário cantor e compositor mineiro, João Bosco, é também reconhecido como violonista excepcional. Mas ele mesmo, engenheiro de formação, confessa mal saber reconhecer um pentagrama, que dirá compor uma partitura. Isso mostra que, nas artes, antes de tudo vem a vocação, o talento nato! Se você puder acrescentar conhecimentos teóricos, tanto melhor. Mas se não tem talento, desista! É o que deviam fazer os dessa geração que veio na cola de Michel Teló e Luan Santana, incluindo os próprios.
Quanto a mim, essa insistência em escrevinhar uns maus textículos é culpa do poeta Mário Quintana, que afirmava ser preferível fazer maus poemas a não fazer nenhum.
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