
O desespero de quem vê o tapete eleitoral sumir debaixo dos pés costuma render cenas patéticas, mas o pré-candidato Flávio Bolsonaro conseguiu inaugurar um novo patamar de humilhação internacional. Encurralado pelo derretimento nas pesquisas Datafolha — reflexo direto de sua incômoda e sombria proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro —, o senador pegou o primeiro voo para os Estados Unidos para mendigar um palanque fake. A missão? Arrancar uma foto com Donald Trump no Salão Oval e tentar fabricar uma "agenda de estadista" para o eleitorado doméstico.
Para tentar justificar o turismo político, Flávio sacou da cartola a velha cortina de fumaça da segurança pública: foi a Washington pedir que os EUA classifiquem o PCC e o CV como organizações terroristas. É um espetáculo de pura hipocrisia e cinismo. Enquanto tenta exportar a responsabilidade do combate ao crime para o Capitólio, o parlamentar tenta camuflar o verdadeiro pavor de sua campanha: os quatro pontos percentuais que evaporaram nas últimas simulações de voto.
O ápice da cara de pau, no entanto, está no que ficou de fora da pauta. O paladino da moralidade externa convenientemente esqueceu de perguntar a Trump qual deveria ser a punição para políticos que pegam dinheiro emprestado ou se amasiando com banqueiros sob investigação. Mexer nesse vespeiro, afinal, estragaria o verniz da "agenda positiva" montada às pressas.
No fim das contas, a montanha pariu um rato. O que era para ser uma demonstração de força política virou uma reunião relâmpago humilhante, onde o presidente americano sequer se deu ao trabalho de levantar da cadeira para recebê-los. Flávio cruzou o oceano para implorar por um milagre eleitoral contra o Lula e voltou na bagagem com um aperto de mão sentado e uma moedinha comemorativa de consolo. Um suvenir de brinquedo para o álbum de recordações da família, enquanto a realidade das urnas continua cobrando o preço.
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