Escala 7x0: a carta de más intenções do capitalismo voraz e a patifaria do senador Alcolumbre
Washington Rocha
A proposta de fim da escala 6x1 não é revolucionária nem comunista; pelo contrário, reproduz a essência reformista da social-democracia, que, mantendo-se no âmbito da economia capitalista, utiliza as instituições da democracia liberal para proteger a classe trabalhadora da voracidade própria dos donos do capital, que deixados sem controle tendem inexoravelmente para a super-exploração dos trabalhadores. Tal realidade foi vastamente registrada durante a "revolução industrial" nos fins do século XVIII. Esse sistema de exploração capitalista livre e desregulamentado, que lançou milhões de operários na extrema miséria, veio a ser chamado de "capitalismo selvagem".
Uma PEC do fim da escala 6x1 já foi aprovada - por ampla maioria - na Câmara Federal, tendo seguido para o Senado. Pois, em reação ao avanço dessa iniciativa moderadamente reformista, as principais entidades patronais do Brasil (CNA, CNC, CNI, CNT, FIESP) patrocinaram no Senado uma PEC em sentido contrário; a desregulamentação das relações entre capital e trabalho. Trata-se da PEC 12, chamada de "PEC do Trabalho Flexível". Encampada pela direita parlamentar, essa proposta patronal foi exposta em uma "Uma Carta Para o Brasil que Acorda Cedo", assinada pelas entidades acima referidas e outras mais de 2 mil entidades menores.
A insidiosa carta foi elaborada com primores de hipocrisia, pois quer fazer acreditar que a desregulamentação das relações entre trabalho e capital favorece os trabalhadores, através da livre negociação entre empregado e patrão. Pressuposição pérfida: não será dificil entender que, aqui no Brasil, as categorias mais humildes dos trabalhadores seriam arrastadas ao chão da miséria numa negociação entre quem é dono de tudo e quem não é dono de nada.
Também não é difícil prever que essa desgraçada PEC 12 não passará; mesmo porque não foi criada para ser aprovada, mas para atrapalhar a aprovação da PEC do Fim da Escala 6x1. No Parlamento, o sustentáculo maior dessa patifaria é Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso Nacional.
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