
A leitura que faço das noticias que tem sido divulgadas é que estamos perante uma fase muito avançada das negociações entre os EUA e o Irão, mas ainda longe da certeza absoluta de um acordo final.
O que me chama a atenção é que nenhuma das partes está a falar como se o processo tivesse falhado. Pelo contrário: os Estados Unidos contestam os termos divulgados pelo Irão, o Irão nega que exista já um acordo fechado, mas simultaneamente afirma que nunca se esteve tão perto de um entendimento. Isso leva-me a pensar que a divergência principal não é sobre a existência de negociações, mas sobre a forma como o seu conteúdo está a ser apresentado ao público e sobre os últimos detalhes que ainda precisam de ser acertados.
Também considero significativo que Trump não tenha dito que não haverá acordo, mas sim que os termos divulgados não correspondem ao que foi negociado. Da mesma forma, o Irão não fala em ruptura, antes procura controlar as expectativas e preservar margem de manobra interna antes de qualquer decisão final.
Quanto ao fim de semana, não excluiria uma surpresa de última hora, mas parece-me igualmente possível que o anúncio seja adiado alguns dias ou semanas para permitir ajustes finais e aprovações políticas. Em processos desta dimensão, é frequente que as declarações públicas mais duras ocorram precisamente quando as negociações entram na sua fase decisiva.
Por isso, a minha impressão é que o cenário mais provável continua a ser algum tipo de entendimento ou memorando entre as partes, embora talvez não nos moldes nem nos prazos que têm sido divulgados. O verdadeiro teste será perceber se ambos os lados continuam a falar de aproximação nos próximos dias. Enquanto isso acontecer, vejo mais sinais de negociação do que de colapso.
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