
Em 1978 nos apartamos da Tribo dos amigos do Piauí. Uma colônia de piauienses que se estabeleceu na Rua 13 de Maio, no centro de João Pessoa, desde 1974, na casa de Dona Dina. Uma senhora de uma postura exuberante, sempre sorridente, mas de uma força de rocha. Eu nunca perguntei, um olho cego, feito por um marginal espancador. Por baixo do pano, dizem, trancado por 7 chaves, disparou 5 tiros no meliante. Uma passagem de ida para o inferno. Cem metros do Ponto de Cem Réis, um ponto de encontro no duplo sentido: um vai e vem de milhares de pessoas; um vai e fica, horas a fio, um ponto da esquerda. Café São Brás, com cuscuz regado a queijo. Chegamos no final de agosto de 1975, Milciades, Albino..., um choque brutal na chegada. As almas das crianças mortas ainda pululam na Lagoa, afogadas por irresponsabilidade do Exército, na comemoração de 24 de agosto. Elas, as crianças inocentes, apinhadas nos botes, sob o comando do exército, subiram ao Céu. Morreram 35 pessoas, 29 eram crianças. Um crime que não mais se fala, sem culpados presos. Voamos, eu e Pinto para a morada em Manaíra, pouso forçado na casa de Luiza, na Rua Franca Filho, na Bela Praia. Luiza nos agasalhou, com o perfume das rosas do jardim, foi fundamental para que alugássemos um chalé na mesma rua. Um amigo do peito Flávio, Pinto já estava com passagem marcada pra Manaus, término do curso; ficou sem casa e pediu morada. João Carroceiro foi logo avisando, meu cavalo é como um filho, não açoito, e não boto peso em excesso que maltrata o animal. Se preocupe não seu João, nós somos estudantes, vai redes, molambos, muitos livros...Imagine uma mudança em uma carroça, na rua principal da Praia de Manaíra, lotada. Vários amigos e amigas gritaram: que mudança exótica é esta?Respondíamos, é a mudança desconfiança. Bons tempos de militância, local privilegiado, bares que marcaram épocas, Boiadeiro, Travessia, Bar da X. Todos no quintal. Décadas depois lembro do Seu João carroceiro, e agora do general Carroceiro da Morte, Pazuello. Que obrigou um subordinado, em 2005, o soldado Carlos Vitor de Souza Chagas a se colocar no lugar dele. Ao subverter a ordem natural da condução de uma carroça, em sendo Pazuello um burro coiceiro, ao invés de puxar a carroça, sentou no lugar do condutor. A justiça militar afirmou a naturalidade do ato vil, com festa e salgadinhos. Uma vergonha para um general, um constrangimento, uma tortura psicológica a um subordinado. Imagino a situação de Manaus. As pessoas morrendo por asfixia, como as crianças que morreram na Lagoa do Parque Sólon de Lucena. Tanto lá, como cá, a justiça tem que sair do curral das elites, a responsabilidade é deles, de mais ninguém. Um ministro da Saúde (deixou a morte rolar no Brasil inteiro. Um balé de matança generalizada, horripilante). Patético, sem currículo algum para transportar uma carga de melancia de um bairro pra outro, saudado como competente na área de logística. O Depósito Central de Munição do Exército, em Paracambi, Rio de Janeiro, é que diga a logística do ministro, desvios de munição debaixo do beiço dele. Não passa de um general capado do Curral da Truculência do Governo da Pólvora. Que é dono do avião que transportou cocaína, dono do preconceito, da exclusão. E dono das mentes de mais de 20 milhões de criminosos confessos, aprendizes abobalhados, obtusos, analfabetos, que compõem o curral da corrupção generalizada que começa a aparecer à época em todos os lugares do Palácio das Milicias. Com filiais de norte a sul, leste a oeste. O Natal se foi, agora vem São João e São Pedro, testemunhas que o STF, STJ...,foram coiteiros do golpe contra Dilma e Lula, tiveram a postura de bois e vacas de presépio, de enfeite, pinguins de geladeira, quando quando foram na essência, coniventes com os crimes mais brutais, praticados contra a democracia, contra a população, quando deixaram afastar Dilma e prender Lula. Acorda da rede mané, engoma a roupa mulher bonita. O fogo de monturo vem queimando a madrugada.
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