
Chica Barrosa, a rainha negra do repente,
perambulou nas cantorias no final do século XIX e início do século XX, nos
terreiros, praças, fazendas, cercadas ou não, arremessando pra quem quisesse
ouvir os traços autênticos da cultura nordestina: desafiando tudo pela frente. Filha
de João Francisco dos Santos e Josefa da Conceição Silva, alforriados, do
quilombo Mãe D’ água, nas cercanias da cidade de Pombal, na Paraíba.
Iranir Medeiros, poeta, escritor paraibano,
entre outras obras, resgata Chica. No livro: Chica Barrosa, A Rainha Negra do
Repente. E dela disse: ‘Falar da cantadeira Chica Barrosa...é falar de versos
de improvisos, de desafios, de poesia popular, de cultura genuinamente
nordestina, cuja tradição exige rapidez de raciocínio, rima, métrica, cadência,
ritmo, linguagem poética e criativa, imagem, oração, além do manejo de um
instrumento (pandeiro, viola, rabeca, sanfona), voz, toada e melodia. Chica foi
imbatível nos desafios.
Em um dos grandes, desafiada por um
famoso do repente, Neco Martins, que soltou a voz “Ô Barrosa, me responda, Seja
por mal ou por bem, Em cima daquela serra, quantos pés de capim tem”? Chica
respondeu: “Se a seca não matô, Ou os bichos não comeu, Em riba daquela serra,
Tem os capins que nasceu”. A genialidade de Chica banhou de alegria a Paraíba,
Rio grande do Norte, Ceará...
Em um duelo que deu empate, com um cantador do
Ceará. Chica diz no verso: “Sete vezes me casei, Sete homens conheci, Inda hoje
permaneço, Tão virgem como nasci”. O cantador também era dos bons, sem
cerimônia de quem estava acompanhando a peleja, explode: “O seu caso é muito
raro, E só assim a gente explica, Ou a senhora não tem buceta, Ou esses homens
não tem pica”
Outro empate, no duplo sentido. Não há
como negar, a esquerda brasileira, na quase totalidade, jogou a toalha, viciada
em voto, desde de a década de 1990, vem lutando para gerenciar o Estado
Capitalista novamente, na fórmula mágica todo mundo tem lucro. Bancos, grandes empresas,
agronegócio..., e uma pontinha, que é enorme, para a população que saiu da
miséria absoluta, dos grotões e dos condomínios debaixo das pontes..., e já
voltaram, desde o golpe de 2016. Um festival de políticas públicas no Governo
Popular Lula/Dilma contemplando milhões na educação, saúde, moradia, emprego e
renda...
Mas, o sistema capitalista (modo de
produção) não é uma instituição de caridade. A contradição fundamental opõe os
trabalhadores que efetivamente produzem a riqueza, a uma minoria que vive do ‘ócio
benéfico’ a alma. As camadas dominantes são parasitárias por natureza, e vivem à
custa do trabalho de milhões de explorados/as, que não detém os meios de
produção, apenas vendem o trabalho em um leilão. Controlado a ferro e fogo
pelas elites dominantes, QUE TÊM nos curais, como gado, os aparelhos
repressivos do Estado.
Ganhar as eleições em 2022, festa e
salgadinhos. Mas, o adágio popular,
quando a esmola é grande o cego desconfia. Ninguém desconfiou que durante a
gestão popular Lula/Dilma, nas entranhas do Palácio do Planalto, os
conspiradores faziam a festa. Não foi por falta de avisos de nós poucos, desde
2012. Não é mais razoável ser devoto de pedir todos os dias, pela manhã, a
benção a Governabilidade. Não é mais razoável a esquerda entupir o Palácio, os
Ministérios, Instituições importantes, novamente, com a gangue de traidores,
que com certeza ocuparão as poltronas, o lago, a cozinha como se estivessem nas
casas deles. Lula ganhar as eleições em 2026, na fórmula das composições
anteriores, ao invés da formação política dos trabalhadores/trabalhadoras do
campo e da cidade, para defender o “Estado Capitalista Democrático”, vai
ocorrer um empate, no duplo sentido: empate e empata.
Uma vitória. A Polícia Federal (em número
de oito), em maio de 1992, invade a aldeia Coquinho, operação para encontrar
maconha, sem autorização da Funai, e o coro come. Armados até nos dentes,
praticam todos os tipos de violência. Um relato de um índio a época "Algemaram
os homens, bateram nas mulheres e nas crianças". O administrador do Posto Indígena Osvaldo
Amorim afirmou “Houve violência contra os índios... Os agentes da Polícia
Federal espancaram uma índia na aldeia e isso provocou a revolta dos demais
Índios presentes”. Atiraram covardemente em um cachorro, a reação da tribo foi
na bucha, tomaram as metralhadoras, pistolas.... Amarraram os agentes e
esfregaram o cachorro morto em todos eles, até que pedissem desculpas.
O vídeo da época é estarrecedor, uma visão
assustadora, o pânico banha o rosto dos agentes, os olhos não negam. O povo começa a comer arroz a semana
inteira com o perfume de sardinha marca Coqueiro, que não é da Tribo, e não
aprendemos nada com ela, com eles, os verdadeiros donos da terra.
Todos os campos são obrigatórios - O e-mail não será exibido em seu comentário