João Gomes
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UE EXIGE QUE A TURQUIA NÃO FORNEÇA GÁS RUSSO


Por: | 22/06/2026


    A União Europeia tem vindo a defender a redução progressiva da dependência do gás russo e, segundo várias informações e intenções políticas já expressas, pretende eliminar totalmente as importações de gás proveniente da Rússia até 2027. O objetivo é diminuir vulnerabilidades estratégicas e reduzir a exposição a um fornecedor considerado politicamente problemático.

    O problema começa quando a realidade se senta à mesa. Vários responsáveis políticos e económicos europeus, incluindo vozes na Alemanha, têm admitido que uma substituição integral do gás russo poderá revelar-se extremamente difícil. A indústria europeia continua a necessitar de enormes quantidades de energia e nem todas as alternativas estão disponíveis nas quantidades, nos preços ou nas infraestruturas necessárias.

     É aqui que a imaginação, por mero exercício humorístico, pode entrar em cena. Fazendo algumas contas de ordem de grandeza, todas as vacas, porcos e outros animais de criação da União Europeia, juntamente com os cerca de 450 milhões de cidadãos europeus, produzem gases naturais que contêm metano, um gás que é, efetivamente, utilizável para fins energéticos.

 O resultado é simultaneamente curioso: mesmo que a Europa conseguisse aproveitar todo esse metano biológico – num gigantesco e improvável programa continental de "flatulência sustentável" –, a energia obtida dificilmente ultrapassaria cerca de 3% das atuais necessidades europeias de gás natural.

Ou seja, nem colocando centenas de milhões de seres vivos a "trabalhar" involuntariamente como produtores de biogás seria possível substituir aquilo que a economia europeia consome.

   A brincadeira, porém, deixa uma reflexão séria. A energia não se substitui por decreto, nem a geopolítica se resolve apenas com proclamações políticas. Entre objetivos estratégicos legítimos e necessidades económicas concretas existe um espaço chamado realidade. E a realidade, essa, tem o péssimo hábito de não obedecer a resoluções, comunicados ou boas intenções.

  Talvez por isso a Europa tenha diante de si um dos maiores desafios da sua história recente: encontrar uma autonomia energética credível sem descobrir, demasiado tarde, que as vacas e os cidadãos europeus, por muito que contribuam para a produção de metano, não conseguem aquecer um continente inteiro.




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