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21 de junho: Dia de Machado de Assis

Por: Francisco Gil Messias | 26/06/2026

21 de junho: Dia de Machado de Assis


Francisco Gil Messias

gmessias@reitoria.ufpb.br


Agora é lei, no Rio de Janeiro: o  21 de junho, por decreto municipal, passa a ser  oficialmente o Dia de Machado de Assis. Esta é a data do nascimento do escritor e daqui para a frente, espera-se, será devidamente comemorada na cidade em que nasceu. Demorou, mas no Brasil é assim mesmo, já sabemos: o que for do bem chega atrasado e o que for do mal chegou ontem. 


Dublin tem o seu dia de James Joyce e é provável que outras cidades possuam datas semelhantes para celebrar seus grandes escritores. Aqui, o professor Milton Marques Júnior lançou a ideia de termos o Dia de Augusto dos Anjos, mas não sei se prosperou junto às autoridades; talvez agora, com esse exemplo do Rio, a coisa ande. Os políticos brasileiros são sempre lentos quanto aos assuntos da cultura; devem achar que isso não dá voto. Essa boa notícia vinda da ex-cidade maravilhosa coincide com o recente lançamento do livro Machado de Assis – Caminhos de suas moradas no Rio de Janeiro, do arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti (Editora Lacre), em que o autor vai apresentando ao leitor as várias residências cariocas do autor de Dom Casmurro, no período de 1839 a 1908. Também isso o professor Milton já fez entre nós relativamente às casas habitadas por Augusto dos Anjos na capital paraibana, o que prova a dimensão dos altos serviços que tem prestado à nossa cultura.  


Essas iniciativas, quando assumidas pelo poder público, sempre tendem a gerar bons frutos, não só para os habitantes da cidade, como para os turistas. E se não renderem votos, garantem ao menos alguma posteridade aos patronos, o que não é pouco, convenhamos. Só para lembrar: na Paraíba, até hoje os governos Pedro Gondim e Tarcísio Burity são mais citados pela ação cultural que por outras, sem demérito para estas, claro. João Azevedo, pelo tanto que restaurou em nosso Centro Histórico certamente também não será esquecido. Na administração federal, por exemplo, o governo de José Sarney se destaca positivamente por ter criado o Ministério da Cultura e proposto a primeira lei brasileira de incentivo ao setor cultural. E por aí vai. Só os ignorantes podem achar que promover a cultura não é bom negócio.


Machado de Assis faleceu em 1908 já consagrado nacionalmente. O Rio de Janeiro não tratou de imediatamente, após o óbito, tombar o chalé do Cosme Velho onde o escritor morou por vários anos e morreu. Ali teria sido o lugar ideal para se implantar um museu em honra do gênio, nos moldes do que em Paris existe no apartamento de Victor Hugo, na Place des Vosges, verdadeiro centro de romaria turística. Mas nada se fez, e o resultado foi a derrubada ou a descaracterização do imóvel histórico, que por certo tempo tornou-se sede de uma...pizzaria. Vejam só. E se fizeram isso com o maior de todos, imagine com os demais. Por mim, um governante que permite, por ação ou omissão, tamanho crime de lesa-pátria, merece, no mínimo, a prisão perpétua.


A Academia Brasileira de Letras, já atrasada, implantou, faz algum tempo, no edifício anexo ao Petit Trianon, um pequeno museu com móveis que pertenceram a Machado de Assis, amealhados junto a herdeiros e, se não me engano, à UFRJ, que ficou com a guarda de uma parte do espólio machadiano. Bom para a Academia, bom para o Rio de Janeiro e bom para o Brasil. 


E se o Rio fez com Machado, por que não o imitamos aqui e criamos do Dia de Augusto dos Anjos, como já propôs o professor Milton Marques Júnior? O que custa o prefeito abraçar essa ideia e oficializar a homenagem, que tantos efeitos benéficos geraria? Senhores vereadores, eis aí uma oportunidade de ouro; não deixem passar.


O Dia de Augusto seria o 20 de abril, data de seu nascimento. Nesse dia, com apoio público ou não, as entidades culturais paraibanas promoveriam eventos em memória do nosso poeta maior. A Academia Paraibana de Letras e a Universidade Federal da Paraíba têm muito a contribuir nesse sentido. E até têm a obrigação institucional de fazê-lo.


Claro que todo dia é dia de índio, já disse o compositor popular, mas ter um dia oficial é outra história. 



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