Cantar
e contar o Nordeste
Na
qualidade de nordestino e fissurado pela cultura dessa nação, vou cantar
Nordeste de Sertões: Veredas, parafrasear a nobreza dessa região. Vou mergulhar
nas entrelinhas desse teatro cultural, musical e lírico que se expõe ao ar
livre, repaginar histórias dos Tropeiros da Borborema, impulsionar a
musicalidade e o dialeto simplório e erudito dessa gente que semeia empatia,
acolhe retirantes e andarilhos que se refugiam nessa Nação de solo fértil e
cristalino.
Prefiro,
antes de tudo, conhecer de palmo a palmo os rincões do meu Nordeste do que
viajar para terras de outras nações. Minha dialética é ariana, Lins do Rego,
João Cabral de Melo Neto, Augusto dos Anjos, Zabé da Loca, é Caetano, Gil,
Preta Gil, Nelson Rodrigues, é o Guarani de Alencar, Jorge Amado, Pedro
Américo. O Nordeste é cantado e decantado em prosas, poesias e versos, é palco
de teatro onde todos pisam. Terra de massapê, de coco-dendê, xote, xaxado,
baião, Padre Cícero, Lampião, Frei Damião, Canudos é tudo, é uma nação.
Eu
conto e canto o Nordeste. Às vezes, posso até me perder na composição e
colocação das palavras, mas não insiro outros dialetos que não germinem das
entranhas desse solo. Por demais, nada me importa de ser chamado de filho das
caatingas do Nordeste. Minha casa não tem chão nem teto, mas o meu Nordeste é
pavimentado e ladrilhado com pedras polidas e esculpidas em formato de letras
góticas.
Caldas
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